Donos e técnico de empresa são denunciados por homicídio
Ministério Público considerou que os denunciados assumiram o risco de matar, e apresentou a denúncia ao Tribunal do Júri
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Ministério Público considerou que os denunciados assumiram o risco de matar, e apresentou a denúncia ao Tribunal do Júri
Rafael Costa - Grupo Folha 
O MPPR (Ministério Público do Paraná) denunciou por homicídio os proprietários e um funcionário da empresa de impermeabilização de estofados apontada como responsável pela explosão que matou uma criança e feriu três pessoas em um apartamento em Curitiba, em junho.
A promotoria apresentou a denúncia ao Tribunal do Júri da capital por entender que houve dolo eventual — ou seja, que os donos e o funcionário que executava o serviço de impermeabilização no local assumiram o risco de matar ao usar substâncias inflamáveis e explosivas de forma clandestina e não adotar “nenhum tipo de cautela” na prestação dos serviços. O Tribunal do Júri é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Os três também foram denunciados por tentativa de homicídio. Foi adicionada à acusação uma agravante por “uso de explosão”. No caso dos proprietários, a denúncia também acrescenta a qualificadora de “motivo torpe”, considerando que agiam “com o propósito de auferir lucro financeiro a qualquer custo, deixando de investir na regularidade da empresa, bem como na segurança dos empregados e, sobretudo, dos clientes”.
O acidente aconteceu no dia 29 de junho. A investigação concluiu que a explosão ocorreu quando uma moradora do apartamento acendeu um fogão durante a impermeabilização de um sofá. A perícia apontou que a causa mais provável foi o manuseio inadequado da mistura inflamável utilizada pela empresa.
Além de matar um menino de 11 anos, a explosão provocou queimaduras na irmã da criança, seu esposo e no próprio funcionário denunciado. A Justiça ainda irá decidir se aceita a denúncia.


