Curitiba – As duas sócias-proprietárias e os dois diretores da agência de viagens Interlaken - operadora de turismo que encerrou suas atividades em 26 de dezembro, deixando mais de 200 clientes na mão - foram presos ontem em Curitiba. O delegado-titular da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), Guilherme Rangel, também solicitou o bloqueio dos bens e de todas as contas-correntes vinculadas aos CPFs e aos CNPJs dos investigados. A quebra dos sigilos bancário e fiscal foram requeridas e autorizadas pelo Poder Judiciário.
Lúcia Fontoura, Marseille Fontoura, Augusto Benzi e Regina Sueli Fontoura, que são parentes, foram detidos por volta das 6 horas e encaminhados ao sistema prisional. O pedido de prisão temporária tem validade de cinco dias, que podem ser prorrogáveis por mais cinco. Segundo Rangel, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, ainda, nas sedes da agência (duas ficavam em shoppings e uma no bairro Ahú) e nas casas dos suspeitos. A polícia reteve documentos, celulares, cheques, um cofre, computadores e o passaporte dos sócios. Os quatro responderão pelos crimes de estelionato, propaganda enganosa, associação criminosa e indução de consumidor ao erro. Somadas, as penas chegam a 14 anos.
"Já são 202 vítimas e estamos muito próximos de atingir R$ 2 milhões em prejuízos. Houve má-fé e dolo, pelo fato de que eles continuaram vendendo pacotes, mesmo sabendo que a empresa não tinha condições de arcar. Ou seja, ludibriaram os consumidores", afirmou. O delegado lembrou que, conforme os boletins de ocorrência, há casos de estelionato - "pegavam dados de clientes, como números de documentos e informações bancárias, e utilizavam para comprar ou até fazer financiamentos". A partir de agora, a Delcon vai analisar o material coletado e dar prosseguimento ao inquérito. A princípio, o prazo para conclusão das investigações é de 30 dias.
A companhia comercializou serviços até a véspera do Natal. O anúncio do fechamento foi feito por meio do Facebook e surpreendeu os clientes. Havia viagens marcadas – e pagas – aos Estados Unidos, Canadá, Caribe e Nordeste brasileiro, entre outras. Ainda de acordo com Rangel, os sócios argumentaram, em depoimentos, que foram surpreendidos pela alta do dólar e que não tinham a intenção de prejudicar as pessoas. "Neste caso, existem instrumentos jurídicos, como o pedido de falência e a recuperação judicial, que dariam transparência." A FOLHA não conseguiu contato com o advogado da Interlaken, Rafael Nunes. Já os telefones da agência foram desativados.

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