A seguradora Liverpool & London e a empresa Chemoil International pediram à Justiça Federal do Rio Grande do Sul que seja retomado o despejo das 6 mil toneladas de ácido sulfúrico ainda existentes dentro do navio Bahamas. O navio está no porto de Rio Grande há um mês com uma rachadura no casco, ancorado no canal que liga a Lagoa dos Patos ao mar. O juiz federal Ricardo Nske negou o pedido na tarde de ontem, mas os autores recorrerão ao TRF (Tribunal Regional Federal).
A alegação é que o vazamento monitorado pode ser a solução menos traumática, pois, caso o ácido corroa o navio e atinja a água de uma única vez, os danos ecológicos seriam maiores. O vazamento do produto tóxico começou no início de setembro. O Bahamas tinha 12 mil toneladas de ácido. Por causa do acidente, corria o risco de explodir.
No último dia 13, a Justiça proibiu o derrame proposital do ácido no mar para evitar a explosão e definiu multa de R$ 5 milhões diários se a ordem de retirar o ácido do local fosse descumprida. O prazo para a empresa retirar o produto tóxico do navio terminou no último sábado. A partir de então, começou a correr a multa. Como a ordem não foi cumprida, a Chemoil (proprietária do Bahamas) já acumula, hoje, uma dívida judicial de R$ 20 milhões.
O vazamento proposital de 6 mil toneladas de ácido sulfúrico já causou a morte de peixes e prejuízos financeiros para 6,5 mil pescadores locais. No mercado público da cidade, as 14 bancas de peixe afastaram todos os seus empregados e colaboradores, pois houve uma queda de 90% na venda de peixes em Rio Grande.
O derrame do produto tóxico, de forma gradual, foi decidido como solução, de acordo com a administração do porto, para evitar danos ecológicos maiores.
O grupo ambientalista Greenpeace denunciou que poderiam ser utilizadas duas outras alternativas para resolver o problema: o repasse do ácido para um tanque vitrificado (o vidro evita a corrosão do tanque) ou o reboque da embarcação. As duas teriam um custo avaliado entre R$ 3,6 milhões e R$ 12 milhões.
Além disso, o delegado da Polícia Federal Glauber Diehl revelou haver indícios de que o acidente pode ter sido uma forma de a Chemoil obter o dinheiro do seguro.
Com o aumento diário de R$ 5 milhões da multa cobrada pela Justiça, o custo a ser pago pela empresa seguradora à Chemoil cresce de forma proporcional
Caso ocorra um vazamento irregular, a multa será de R$ 200 milhões. A empresa e a seguradora tentam, ainda, diminuir o valor da multa diária para R$ 200 mil.
Além da pesada multa aplicada pela Justiça Federal de Rio Grande, a 313 quilômetros da capital, há ainda uma ação criminal tramitando na Justiça contra o comandante do navio e os armadores.

mockup