Brasília, 19 (AE) - Depois da manifestação dos ruralistas e da Marcha dos Cem Mil, há quase um mês, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, será ocupada terça-feira (21) por representantes de hospitais, médicos e secretários de Saúde. Apoiados por deputados da Frente Parlamentar de Saúde, ele prometem reunir mais de 3 mil manifestantes num ato, que vai até quinta-feira (23), pelo aumento da tabela do governo usada para pagar os serviços médicos prestados à população e com o objetivo também de pressionar pela aprovação, no Congresso, de propostas de financiamento estável do setor.
Os participantes da mobilização, principalmente os donos de hospitais, defendem um reajuste de 90% na tabela, 40% imediatos e outros 60% aplicados de forma diferenciada. "Todos os hospitais, sejam eles públicos ou privados, estão com dificuldades porque têm sido obrigados a demitir pessoal, reduzindo, assim, a qualidade do serviço", diz o superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia
José Spigolon.
O secretário-geral do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Elias Rassi Neto, explicou que os secretários estão mais preocupados com a aprovação de emenda instituindo fonte de financiamento definitivo para a saúde. As duas emendas têm o mesmo objetivo, o de fixar porcentuais dos orçamentos federal, Estadual e municipal destinados exclusivamente ao custeio dos serviços públicos de saúde. Segundo Rassi Neto, a idéia é a de que os Estados atinjam, progressivamente, o gasto de 10% das receitas com o setor.
Embora o Ministério da Saúde apóie de forma velada a manifestação, não vê como conceder o reajuste reivindicado. Mas os donos de hospitais estão certos de que a pressão pode resultar em benefícios. Os deputados que também são médicos prometem promover uma vigília na Esplanda dos Ministérios, com direito a plantão médico-noturno, na Praça dos Três Poderes, em frente do Palácio do Planalto, onde despacha o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na terça-feira (21), os manifestantes chegam a Brasília e se reúnem no Legislativo, tentando manter um contato com os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). No dia seguinte, a concentração será no Ministério da Saúde.
Os secretários e representantes do setor hospitalar partem para o Congresso com o objetivo de acompanhar a prevista votação das emendas.

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