Belo Horizonte, 05 (AE) - Agentes da Polícia Federal prenderam, hoje, em Belo Horizonte e São Paulo, nove administradores de duas casas de bingo da região metropolitana da capital mineira, acusados de sonegação fiscal, apropriação indébita de recursos destinados à quitação de tributos e formação de quadrilha. Eles são donos da HMR Administração e Lazer, responsável pelo Bingo Eldorado, de Contagem - licenciado graças à Liga Esportiva do município -, e Cidade, de Belo Horizonte - ligado ao Cruzeiro Esporte Clube. A HMR e as duas entidades esportivas, que, conforme a Lei Zico, cederam os nomes para os bingos, foram multadas, ao todo, em R$ 37 milhões pelo não pagamento de impostos. O Cruzeiro terá de pagar R$ 16 milhões, a Liga Esportiva de Contagem, R$ 6 milhões e a HMR, R$ 15 milhões.
Segundo o superintendente da PF na capital mineira, Agílio Monteiro, há um ano a Receita Federal, o Ministério Público Federal e a corporação vinham investigando as atividades dos proprietários das duas casa de bingo. Nesse período, disse, foram constadas diversas irregularidades, como o não pagamento de Imposto de Renda e a utilização, nos sorteios realizados nos estabelecimentos, de cartelas "frias" de bingo, sem numeração.
O mandado de prisão preventiva dos empresários foi exepdido, esta semana, pelo juiz substituto da 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, André Prado de Vasconcelos. O juiz pediu a detenção de dez pessoas, mas um dos sócios da HMR, Esperidião Abraão, que estaria em São Paulo, não foi encontrado e está sendo considerado "foragido". Na capital mineira, foram presos Halim e Munir Khalil Lebbos, Renato Gonçalves Vieira e Jorge Carlos Mioto. Em São Paulo, a PF localizou Romualdo Hatty, Marco Antônio Tobal, Edvarde Gonçalves Vieira Filho, Mauro Mori e Vanderley Gonçalves. Os cinco foram transferidos, hoje mesmo, para a sede da PF em Belo Horizonte. Cruzeiro - O assessor da presidência do Cruzeiro, Valdir Barbosa, informou, no início da noite, que o clube está "preparado para se defender em qualquer questão judicial relacionada ao bingo Cidade". Segundo o assessor, o time "apenas cedeu o nome para que o bingo funcionasse", conforme previsto na Lei Zico, que regulamentou o setor.
Por causa disso, mensalmente, o Cruzeiro recebia uma determinada quantia que era obrigatoriamente investida nas atividades esportivas do clube. "A responsabilidade pelo pagamento de impostos e por todos os outros aspectos da administração do bingo sempre foi da HMR", afirmou Barbosa.

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