Agência Estado
A Vigilância Sanitária de Araçatuba, a 545 quilômetros de São Paulo, está encontrando dificuldades para combater a leishmaniose na cidade, que já registrou uma morte. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os donos de cães contaminados estariam escondendo ou tratando os animais com medicamentos para humanos, o que é proibido por lei, para impedir que eles sejam sacrificados.
A diretora da Vigilância Epidemiológica do Estado, Lucelena Araújo explicou que os agentes sanitários enfrentam forte resistência da população que tenta evitar de todas as formas a execução de cães, principalmente os de raça. Dos 132 animais que apresentaram exame sorológico positivo no mês de maio, 25 não foram sacrificados porque seus donos não admitiram a ação das autoridades sanitárias.
Ontem, diretores das unidades de saúde envolvidas no combate à doença, transmitida do cachorro - principal hospedeiro do protozoário - para o homem por meio da picada de um mosquito, se reuniram para discutir formas de se acelerar o sacrifício dos cães contaminados. Recentemente, o secretário estadual de Saúde, José da Silva Guedes, criticou os sanitaristas de Araçatuba por causa disso. Segundo Guedes, é preciso ter mais agilidade no controle de cães doentes. Ele citou que países como a China erradicaram a doença matando inclusive cães sadios.
Uma das alternativas em estudo é o uso de força policial durante as visitas de agentes sanitários e a responsabilização criminal dos proprietários. O secretário municipal de Saúde, Rubens Araújo explicou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera normais os índices de densidade de um cão para cada grupo de dez habitantes. Porém, as últimas estatísticas teriam indicado que em Araçatuba, com 180 mil habitantes, existe um animal para cada quatro habitantes. Até agora, menos de 3 mil tiveram sangue coletado. Centenas ainda não têm resultado.

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