Donos de bingos de Curitiba mudam de ramo para manter lucro
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 36% dos bingueiros de Curitiba e Região Metropolitana já mudaram de ramo de atividade por causa da briga judicial travada há quase dez meses com o governo do Estado. De um lado, os proprietários de casas de bingo que alegam que a atividade é legítima e está amparada por legislação federal e alvará municipal. Do outro, o governo com o aval do Ministério Público (MP) estadual que alega que o bingo é contravenção penal, portanto tem que ser proibido.
Com a briga, que vem se arrastando na Justiça, proprietários de bingo no Estado estariam demitindo funcionários e negociando dívidas sociais, como água e luz. Nos casos mais delicados, nem mesmo o aluguel tem sido pago. ''A negociação tem acontecido individualmente'', afirmou Luiz Eduardo Dib, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Bingo do Paraná (Sindibingos). Uma dessas negociações está sendo feita por Alcides Soares, acionário de um estabelecimento de bingo de Curitiba. Ele já deixou de pagar as contas de água e luz há quatro meses. Poucos funcionários foram mantidos e ainda estão sendo pagos com recursos próprios. ''Nossos funcionários estão penando por causa de um factóide. A briga com os bingos é um factóide do governo Requião. Não tem fundamentação jurídica'', afirmou Soares.
A esperança de quem ainda não fechou as portas é a possibilidade da edição de uma Medida Provisória (MP) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) regulamentando a atividade no Brasil. ''Quem esperou até agora, espera mais um pouco. O jeito é ir levando a situação da forma como está'', declarou ele. Somente em Curitiba, das 25 casas existentes no início do ano passado, apenas 16 não foram completamente fechadas. ''Os proprietários estão mantendo alguns funcionários, apesar das casas não poderem ter atividades de bingo'', confidenciou. Dos 3,8 mil funcionários em 38 casas de bingo no Paraná, apenas 300 ainda estariam sendo mantidos pelos bingueiros.
Em todo o Estado, apenas o Village Bingo continua aberto por decisão judicial. Essa semana, o Tribunal de Alçada (TA) negou os pedidos de reabertura com base em alvará expedido para as casas de bingo de Curitiba pela Prefeitura com base em legislação municipal e na Lei Complementar Federal 116, que regulamentava a cobrança de tributos municipais para estabelecimentos de bingo e videoloterias.


