Donos de áreas invadidas vão cobrar prejuízos do Estado
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quarta-feira, 29 de outubro de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - O Governo do Estado está sujeito a ações de indenização por prejuízos que produtores rurais terão com áreas invadidas onde não conseguem iniciar o plantio da safra de verão. A União Democrática Ruralista (UDR) denunciou ontem que somente na Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, região de Paranavaí, o prejuízo pode passar de R$ 500 mil. Na Fazenda Santa Terezinha, região de Maringá, o proprietário Alexandre Yoshihide Maehara, que mantém cinco arrendatários, foi impedido por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de iniciar o plantio de soja em 250 alqueires.
Maehara havia solicitado segurança do Estado para garantir o cultivo, mas o período ideal que vai até novembro está terminando e o governo não se pronunciou sobre o caso. Segundo o advogado da Fazenda Santa Terezinha, Coraldino Vendramini, uma ação de indenização é certa porque o proprietário perdeu a esperança de lançar as sementes no solo. A fazenda foi invadida no início de agosto e o governo não cumpriu a ordem de reintegração de posse concedida pela Justiça.
Conforme o presidente da UDR, Marcos Prochet, 77% da safra de milho em 200 alqueires da Fazenda Água da Prata foi perdida ou roubada. Prochet afirmou ainda que 100 alqueires cultivados com aveia foram destruídos. A Água da Prata teve a primeira invasão registrada em maio de 1997 e desde então permanece como palco de conflitos na região.
Prochet disse que a UDR está denunciando o fato ao governo por meio de ofícios e exigindo a reintegração de posse das duas áreas. ''O governador (Roberto Requião) havia prometido que a cada invasão promoveria três reintegrações de posse, mas pelo visto foram só bravatas'', afirmou o ruralista. Prochet disse que a recente invasão da Fazenda Cristo Rei, em Laranjal, região de Guarapuava, não resultou em cumprimentos de ordens judiciais. ''Estamos priorizando a Água da Prata e a Santa Terezinha porque os produtores estão amargando prejuízos que terão que ser ressarcidos depois pelo próprio Estado'', afirmou Prochet.
Além de estar proibido de plantar soja, o proprietário da Fazenda Santa Terezinha denunciou a morte de três cabeças de gado por fome porque os sem-terra limitaram o espaço de confinamento de 800 cabeças em 50 alqueires da propriedade. Com o fim do pasto e sem alternativas para alimentação, o gado também será computado no rol de prejuízos, anunciou Prochet.
A Folha tentou ontem localizar lideranças do MST no Paraná para falarem sobre as denúncias da UDR, mas em Curitiba, a secretaria informou que os coordenadores estão atividades fora da capital. Lideranças do movimento na região de Maringá disseram apenas que os acampados da Santa Terezinha estão cultivando milho, mandioca e feijão na área e, por isso, não abrem espaço para os arrendatários.
Segundo a assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública, responsável pelo cumprimento das reintegrações de posse, não há nenhuma previsão de ordem para as operações.


