Os proprietários das duas fazendas invadidas no norte do Paraná no último sábado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conseguiram ontem na Justiça a reintegração de posse das áreas. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) afirmou que não havia sido notificada até o início da noite para cumprir as ordens.
Em Rio Branco do Ivaí, cerca de mil integrantes do MST continuavam na Fazenda Mestiça, voltada à pecuária e à produção agrícola. Ontem, a proprietária Maria Antonieta Junqueira Netto Cordeiro conseguiu a reintegração de posse da área junto à comarca de Grandes Rios. O representante da proprietária, o advogado Sérgio Meda, informou que um oficial de justiça tentaria notificar o MST sobre a ordem no fim do dia.
Em Cornélio Procópio, as proprietárias da Fazenda Santa Alice, Dorathy Quagliato Cézar e Beatriz Egreja, já haviam obtido a ordem para reintegrar a posse no mesmo dia da invasão. Elas possuem interdito proibitório da área, recurso que funciona também como uma reintegração, mas os cerca de 600 integrantes do MST teriam ignorado a presença do oficial de justiça. Ao contrário do que foi divulgado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), as proprietárias não teriam ofertado as terras para venda em 2005 mas sim um parente delas sem participação na área.
Ontem, a Folha tentou contatar representantes do Incra/PR no início da noite mas não conseguiu. Sobre o cumprimento das ordens judiciais, a assessoria Sesp informou que não havia sido comunicada oficialmente pela Justiça.

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