Donos de apartamentos do Palace 2 recebem indenizaçäes
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 28 (AE) - O juiz da 20ª Vara Cível, Rogério de Oliveira Souza, entregou hoje a 24 proprietários de apartamentos do Palace 2 mandados de pagamento para que recebam indenizaçäes pela perda dos imóveis. Oito pessoas morreram no desabamento parcial do prédio, em fevereiro de 98. Uma semana depois o edifício foi implodido.
O valor das indenizaçäes variam de R$ 30 mil a R$ 200 mil. Elas somam R$ 1,45 milhão e foram negociadas com os advogados do dono da construtora Sersan, o ex-deputado Sergio Naya. O dinheiro para o pagamento foi obtido graças uma autorização da juíza da 4ª Vara de Falências e Concordatas do Rio, Amália Regina Pinto, desbloqueando uma conta bancária na qual estava depositada a última parcela de venda de um avião de Naya, o jato executivo Citation, da Sersan Táxi Aéreo Ltda. Todos os bens do ex-deputado e da construtora estão bloqueados.
A maioria dos proprietários que fez o acordo não morava no local. Os primeiros a receber o documento foram Carlos Eduardo Pereira do Vale e sua mulher Maria Cecília Pereira do Vale. O casal, que estava com o apartamento vazio na época do desabamento, recebeu R$ 41.226. Carlos Eduardo saiu satisfeito com o acordo. "Estou recebendo o que gastei com reajuste", assinalou. A Associação das Vítimas do Palace argumenta que os acordos são insatisfatórios.
O comerciante Augusto Pariz, de 53 anos, também estava satisfeito. Proprietário do apartamento número 1.303, de três quartos, ele já havia pago 60% do valor do imóvel. Hoje foi ao Fórum para receber uma indenização de cerca de R$ 70 mil e pretende comprar um outro apartamento na Barra. "Quem soube negociar, com o dinheiro recebido pode comprar uma outra coisa", assinala.Pariz, que tem quatro filhos, usava o apartamento apenas para o fim de semana. Soube do desabamento do prédio pelo rádio, no meio da Ponte Rio- Niterói, quando voltava de Saquarema, cidade na Região dos Lagos.
O dentista Luiz Carlos Santigado, de 42 anos, não se mostrava satisfeito com a situação. Seu apartamento, o 2001, estava sendo reformado para receber o dentista, a sua mulher e a filha."Tinha planos e foram todos por água abaixo", lamentou.
A família do defensor público Gil Augusto Guimarães Maneschy foi a primeira a conseguir o pagamento de uma indenização (cerca R$ 100 mil) através de acordo. Maneschy foi um dos oito mortos da tragédia.


