Donos da Sundaw são denunciados por contrabando
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 1999
Vânia Casado 
A Procuradoria da República no Paraná ofereceu denúncia contra a família Rozemblum, proprietária da fábrica de bicicletas Sundow, sediada em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, acusando-a por contrabando de peças para bicicletas e formação de quadrilha. A denúncia, oferecida no início do mês passado, recai sobre o empresário Isidoro Rozenblum Trosman, seu filho Rolando Rozemblum Espern, sua esposa Noemi Elpern K. de Rozemblum.
Outras três pessoas que atuavam em conjunto com a família, de origem uruguaia, também foram denunciadas. Trata-se do empresário sócio da Sundow, José Eduardo de Oliveira, do empresário Vitório Afonso Breda, que assessorava a Sundow nas operações de importação, do despachante aduaneiro Hermógenes Alves de Oliveira e de João Kravitz Filho, responsável pela Agência de Vapores Grieg. O juiz federal da 1ª Vara Criminal, Marcelo Malucelli, aceitou a denúncia.
As operações de contrabando começaram a ser investigadas pelo Ministério Público Federal quando foram apreendidos 50 contêineres destinados à Sundow com peças contrabandeadas no porto de Paranaguá, em maio de 1997. Chamou a atenção dos fiscais e da Polícia Federal, que somente 10% da mercadoria apreendida havia sido declarada à Receita Federal. O agravante é que 35 dos contêineres estavam sendo importados pela empresa Santa Edwiges-Comércio de Eletrodomésticos, sediada em um box na avenida Marechal Floriano em Curitiba.
O Ministério Público concluiu que a empresa era utilizada como laranja com a finalidade específica de contrabandear mercadorias do Oriente para a Sundow. A suspeita da empresa laranja foi confirmada por depoimentos de funcionários do Banestado que assinaram os contratos de câmbio para as operações de importação. Eles informaram que apenas os dirigentes da Sundow negociavam em nome da Santa Edwiges.
A família Rozemblum reside no Brasil desde 1974 e em 1994, constituiu a empresa Sundow do Brasil Bicicletas Ltda. A empresa operava na importação, montagem e comercialização de bicicletas e peças. Em pouco tempo, controlava 20% do mercado nacional, com um faturamento anual de mais de R$ 100 milhões. O Ministério Público suspeita que as atividades da empresa são irregulares desde o início das atividades.


