Bauru, SP, 16 (AE) - Os donos da fazenda Val de Palmas, em Bauru, a 335 quilômetros de São Paulo, estão recolhendo provas para entrar com uma ação de reparação contra o Estado . Um dos argumentos usado será a demora na execução da reintegração de posse, concedida em 24 de junho pela Justiça e só cumprida em 14 de maio pela Polícia Militar. A fazenda foi ocupada por sem-terra no dia 19 de junho. Eles queimaram nove casas, uma serraria, um galpão e uma mangueira de gado, além de abater animais e depredar a sede da fazenda - ela estava sendo restaurada e seria transformada em museu - antes de serem despejados na quarta-feira, dia 14
Hoje oficiais de Justiça, enviados pelo juiz Renato Siqueira de Pretto, da 3ª Vara Cível, estiveram na Fazenda para verificar os danos provocados pelos sem-terra. De acordo com Selma Nassrala Kassis, uma das proprietárias, ainda não há condições de avaliar os prejuízos, principalmente saber quantas cabeças de gado foram abatidas. "Os empregados contaram que uma parte do gado abatido foi cortada ao meio e levada em peças inteiras; como não sobraram carcaças, só a contagem do que restou e sua confrontação com os livros da fazenda dirá quantos faltam.
A família está reunindo provas para juntar ao relatório que a Justiça fará sobre a invasão. Caminhoneiros que participaram do transporte revelaram hoje que os móveis retirados do casarão histórico - muitos deles trazidos da Alemanha no início do século - foram levados para o Parque Jaraguá, um bairro pobre próximo à fazenda. A família vai tentar recuperá-los para retomar o processo de restauração.
Os sem-terra continuam acampados no antigo Horto Florestal da Fepasa, à margem da rodovia Bauru-Jaú. Na quinta-feira eles interditaram a estrada para protestar contra a falta de água no acampamento e hoje reclamam a falta de lonas. Integrantes do acampamento negam terem promovido depredações em Val de Palmas

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