Dono promete mudar casa de prostituição
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quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O comerciante Severino David Skibinski, que formalmente é proprietário de 50% das ações do Café Paris, em Curitiba, fechado na semana passada depois de uma blitz do Ministério Público do Trabalho que detectou uma série de irregularidades, admitiu ontem que era proprietário da casa de shows que promovia strip-tease com garotas de programa e permitia a saída das prostitutas do local após o cliente pagar uma taxa de R$ 50. Essa taxa entrava na nota como consumação. ''Eu estava como sócio disso aí'', admitiu ele.
A casa de shows está fechada e será reaberta na semana que vem. A mulher de Severino, Marina Skibinki, disse que o local está sendo arrumado e reabrirá em busca de um público diferenciado. ''Nós só vamos abrir quando tivermos com tudo organizado. A gente vai fazer o que quer o Ministério Público do Trabalho. Vamos deixar de trabalhar com prostitutas. Só não entendo o porquê de tanto sensacionalismo por causa de uma casa que funcionava como tantas outras em Curitiba'', alegou ela. ''A gente não vai contrariar a lei de vocês.''
Skibinski teria dado como pagamento das ações do Café Paris um imóvel. Ele não quis precisar o valor do imóvel, metragem ou localização. ''Ele pegou em troca'', afirmou Marina. O comerciante teria comprado o estabelecimento no dia 13 de maio de 2003 do empresário Nivaldo Carlos Hoffmann. Na oportunidade, o nome da casa era Café Pholo.
Vanessa Teixeira Leite, de 18 anos, aparece como sendo a proprietária de outros 50% das ações do Café Paris. Ela teria comprado as ações do empresário Mateus Maranhão Ramos. Procurada pela Folha, ela não quis falar sobre o assunto. O pai dela, David Leite, duvidou. Ele afirmou que Vanessa era apenas caixa do Café Paris e confirmou que o local não passava de uma casa de shows com prostitutas.
O casal Skibinski também não confirmou que Vanessa era sócia do lugar. Em entrevista à Folha, Marina garantiu que Mateus Ramos ainda era sócio. ''O sócio continua sendo o Mateus'', destacou ela.
''Eles vão ter que provar'', disse Mateus Ramos. Ele reafirmou que vendeu o estabelecimento e nunca mais teve qualquer ligação com o lugar. ''Nunca fui dono de prostíbulo e pretendo nunca vir a ser'', salientou irritado, em entrevista à Folha. O empresário disse que quando foi dono da casa, que segundo ele funcionava como restaurante e charutaria, o nome do estabelecimento era Café Pholo. Pesquisa realizada pela reportagem verificou que o nome do café teve que ser alterado por causa de processo judicial que tramita na 14 Vara Cível. Uma empresa de São Paulo, com o mesmo nome, acusava os empresários de plágio.
O caso já está nas mãos do promotor Dicésar Augusto Krepsky, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Ontem, o promotor estava tomando depoimentos e não pôde atender a reportagem da Folha.


