Dono do circo assume culpa por morte
Agência Estado
Do Recife
O dono do Circo Vostok, Alexandre Vostok, assumiu ontem a responsabilidade pela morte de José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, de seis anos, atacado e morto por leões durante intervalo do espetáculo, no domingo à noite, no município de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Para ele, a culpa direta da tragédia foi da segurança do circo, que permitiu a passagem de pessoas em área proibida, junto à jaula armada no picadeiro.
Vostok, porém, também levantou a hipótese de ter havido sabotagem por parte de algum funcionário, que teria aberto a passagem dos leões para a jaula antes da hora, quando muita gente ainda transitava na arena e se acomodava. Ele admitiu, entretanto, ser o principal responsável pelo acidente, independente de quem seja o culpado. Talvez eu tenha escolhido mal as pessoas que cuidam da segurança e da organização interna do espetáculo, afirmou.
Alexandre Vostok não reconheceu as acusações de falta de segurança do circo feitas por peritos do Instituto de Criminalística (IC). Ele disse que seu circo é um dos mais seguros do mundo, seguindo normas internacionais. Dizendo-se traumatizado com a tragédia, informou que não pretende mais trabalhar com animais. Toda a minha vida foi dedicada a divertir as crianças, estou profundamente abalado, afirmou.
Vostok deverá se apresentar hoje para depor na Delegacia de Piedade, que apura o caso, atendendo a uma segunda intimação feita pelo delegado Washington Luiz. Caso não compareça responderá por crime de desobediência, de acordo com o delegado. O dono do circo assegurou, em entrevista, que vai ficar na cidade até o encerramento do inquérito e que não fugirá à responsabilidade, estando disposto a indenizar não somente os familiares da criança morta, mas também pessoas que perderam relógios, óculos ou outros objetos durante o tumulto que se seguiu ao ataque dos leões.
Por enquanto, somente o domador do Circo Vostok, Claudinei Pires da Rocha foi indiciado no caso por homicídio culposo. O delegado antecipou ontem que outros indiciamentos deverão ocorrer somente no final do inquérito. Além do domador, seu auxiliar, Clóvis dos Santos, encarregado de abrir a porta da jaula, já depôs. Nenhum deles admitiu ter havido algum erro ou falha.





