São Paulo, 14 (AE) - O corpo do empresário Henrique Luís Varésio, de 52 anos, um dos proprietários da Universidade de Guarulhos (UnG) e do Internacional Shopping, foi encontrado na manhã de hoje, em um matagal da Estrada da Roseira, km 9, em Mairiporã, na Grande São Paulo. Varésio estava desaparecido desde o dia 8.
O corpo, em decomposição, estava a 6 quilômetros do local onde a polícia encontrou o carro de Varésio, um Ford Taurus, na noite em que ele sumiu. Ao lado da cabeça foram encontradas seis cápsulas deflagradas de calibre 38. Darci Panochia Júnior, da família Varésio, esteve no local e fez o reconhecimento. O relógio e a carteira não foram encontrados.
Os peritos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) acreditam que Varésio foi assassinado com tiros no rosto, peito e nas costas."Com a autópsia teremos condições de saber com exatidão quantos tiros mataram o empresário e a distância dos tiros", disse a delegada Elisabete Sato, responsável pelas investigações. O corpo está no Instituto Médico-Legal central de São Paulo.
Para a polícia, o principal suspeito do crime é Marco Antônio Dallafina, de 30 anos, condenado por assalto e homicídio. Ele foi preso na noite do desaparecimento de Varésio, perto do Taurus, com R$ 700,00 e US$ 12,00. Segundo a delegada Elisabete, que procurava o empresário, o assaltante alegou que o dinheiro lhe fora dado por um irmão para o pagamento da prestação de um terreno em Guarulhos.
Sequestro - A família de Varésio chegou a suspeitar de sequestro. A mulher e os filhos disseram, no fim de semana, que Varésio estava no exterior, pois acreditavam que poderiam receber telefonemas com pedidos de resgate. Mas, com a falta de notícias e a prisão de Dallafina, o DHPP passou a investigar um possível assalto seguido de morte ou assassinato por vingança. Dallafina é acusado de tentar queimar o carro do empresário.
Na segunda-feira, policiais civis e militares estiveram procurando o corpo do empresário na mata de Mairiporã perto da represa. Os soldados e investigadores chegaram perto do lugar onde o corpo foi encontrado hoje, mas encerraram a busca ao escurecer.
Hoje , por volta das 11 horas, um lavrador que passava por uma trilha nas proximidades da Estrada da Roseira, viu o corpo e chamou Polícia Militar. Para chegar ao local, de difícil acesso, dois soldados passaram pela porteira de um sítio. Os policiais acreditam que os autores do crime conhecem bem a região.
Dallafina, condenado a 22 anos e 9 meses de prisão, cumpre a pena em regime semi-aberto. Sai pela manhã da Penitenciária de Franco da Rocha e volta à noite. A Corregedoria da Polícia Judiciária decretou a prisão temporária dele por 15 dias. Dallafina nega ter assassinado Varésio. Disse que estava passando pela Rua do Asilo quando viu o carro e resolveu examiná-lo.
Quando policiais militares o prenderam, Dallafina estava com as mãos sujas de gasolina. No assoalho do carro os militares encontraram uma garrafa cheia de gasolina. Os bancos do Ford Taurus estavam chamuscados. Os peritos informaram que tinham tentado queimar o carro.
Vingança - Morador em Guarulhos, Varésio foi visto pela última vez no começo da tarde do dia 8 dirigindo seu carro. Uma testemunha localizada pela polícia informou ter visto o Taurus ser fechado por dois Fiorinos, um preto e outro branco. Dallafina tem um Fiat preto desse modelo.
Segundo a polícia, Dallafina terá muito o que explicar. A delegada Elisabete não quer falar sobre a linha de investigação. A suspeita de vingança é tão forte quanto a de latrocínio (assalto seguido de morte). Varésio e o sócio Antônio Veronezzi estariam enfrentando sérias dificuldades financeiras em consequência da construção do shopping. Varésio queria vender a universidade e o shopping e isso teria causado um desentendimento entre os sócios.

mockup