Dono de fazendas com cadastros cancelados ameaça processar FHC
Agência Folha
De Campo Grande
O fazendeiro Arthur José Hofig Júnior, dono de cinco fazendas em Mato Grosso do Sul cujos cadastros no Incra foram cancelados pela portaria do governo federal, afirmou que, se possível, vai processar o ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) e o presidente da República. Não vou brincar mais, estou cheio, vou consultar os melhores advogados e, se tiver chance, vou processar até o Fernando Henrique.
O fazendeiro também tem propriedades em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Hofig Júnior, 60, disse que é o maior absurdo do mundo a inclusão de suas fazendas (Antares, Vista Alegre, Canivete, Karima e Córrego Azul), distribuídas em cerca de 76 mil hectares, no Livro Branco sobre a Grilagem de Terras no Brasil. Ele disse que seu pai, Arthur Hofig, comprou a área na região de Brasilândia (MS) em 1949, em leilão promovido pela União. As terras, pertencentes a alemães, teriam sido encampadas durante a Segunda Guerra Mundial.
Dono da maior criação de porcos do Brasil e proprietário de uma das maiores plantações de café do País, Hofig Júnior afirmou que a inclusão de pessoas que não são grileiros no livro ou é incompetência do governo ou uma forma de desestabilizar o proprietário rural.
Orley Saravy Trindade, um dos sócios da Agropecuária Ás de Ouro, proprietária de duas fazendas na região de Corumbá (MS), a Anacã do Corixão e a Anacã da Baía Verde, disse possuir escritura definitiva das propriedades que tiveram cadastro cancelado. Nós compramos de Italino Pereira há 20 anos, a escritura é centenária. Para mim, não existe grilo, isso é novidade, afirmou Trindade. Se as terras são griladas, não sei mais o que vai virar o direito à propriedade.
Ele contestou também informação do governo de que as duas fazendas têm mais de 130 mil hectares. A Corixão tem 16 mil hectares, e a Baía Verde, 11 mil hectares. A pecuária é a principal atividade na área.





