Dono de fazenda pede segurança para plantar
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quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - O proprietário da Fazenda Santa Teresinha, localizada na divisa dos municípios de Jardim Olinda e Paranapoema, Alexandre Yoshihide Maehara, pediu segurança ao Governo do Estado para iniciar o plantio da safra de verão. A fazenda está invadida desde o final de julho por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em agosto, na iminência de uma operação de reintegração de posse que não ocorreu, cerca de três mil pessoas se concentravam no local, transformando o acampamento em um dos maiores da região Noroeste.
Segundo o proprietário, o pedido foi feito anteontem ao vice-governador Orlando Pessuti, que também atua como secretário de Estado da Agricultura. Maehara espera cultivar soja em 250 alqueires da fazenda a partir de segunda-feira. ''Não podemos agir por conta própria e por isso dependemos de policiais para nos acompanhar com os tratores'', afirmou o proprietário. A Secretaria de Segurança Pública informou que nenhum pedido de segurança havia sido protocolado até o final da tarde de ontem.
Maehara calcula que cerca de 300 pessoas ainda estejam na fazenda. ''Muitos barracos estão vazios porque a comida acabou e além disso fiz vários anúncios sobre o fato de que não irei vender a fazenda de maneira alguma'', disse o proprietário. Ele acredita que o anúncio desestimulou os integrantes do movimento que vieram de diversos municípios da região e do Pontal de Paranapanema, divisa de São Paulo com o Paraná. Em reportagem na fazenda, a Folha constatou no dia 22 de agosto que até vereadores de municípios vizinhos integravam o acampamento.
O local recebeu ainda integrantes de outros acampamentos formados na região que transferiram as barracas para a Fazenda Santa Terezinha. Um dos acampamentos era o de Uniflor (49 km de Maringá) que no dia 3 de julho foi palco de conflito entre acampados e pistoleiros, na divisa das fazendas Roma e Pitanga. Mais de três meses depois do conflito em Uniflor, o inquérito que apura o caso ainda não foi concluído. A Polícia Civil de Mandaguaçu, responsável pelo investigação, depende da devolução dos autos pelo Fórum de Nova Esperança e dos laudos das perícias feitas nas armas.
Na ocasião, um trabalhador rural ficou ferido com três tiros. Armas e munições das duas fazendas foram recolhidas para a perícia, cujos resultados, segundo o delegado de Mandaguaçu, Valdir Samparo, devem estar chegando de Curitiba para a Subdivisão da Polícia Civil de Maringá. ''Acredito que até a próxima semana receba os laudos para o relatório final'', disse Samparo.


