Dono de engenho pode ser preso
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Agência Estado Recife 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape) pediram ontem, em nota conjunta, a imediata prisão preventiva de Rui Ramos, dono do Engenho Camarazal, em Nazaré da Mata, onde na madrugada de domingo dois sem-terra foram mortos e outros seis ficaram feridos após ataque de pistoleiros. Os trabalhadores apontam Ramos como o mandante do ataque ao acampamento dos sem-terra. O Movimento dos Trabalhadores (MT-PE) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) também assinam a nota.
No manifesto, eles também repudiam a Federação Nacional e a Associação dos Fornecedores de Cana que publicaram anúncios, nos últimos 15 dias, na imprensa local, avisando com arrogante antecedência e surpreendente impunidade, que iriam fazer despejos com as próprias mãos e que iriam organizar milícias para desempenhar poder de polícia.
Os trabalhadores querem, ainda, que a Polícia Federal atue nas investigações. Eles criticam o desempenho da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PE), que consideram omissa. O diretor geral da SSP, Manoel Carneiro, explicou que uma mera suspeita não é suficiente para se pedir preventiva. Afirmou que o delegado designado para apurar o caso, Derivaldo Falcão, poderá solicitar a prisão ao juiz, de quem quer que seja, desde que disponha de provas. E ele está trabalhando nesse sentido. Rui Ramos só deverá ser ouvido na próxima semana.
Numa reunião ontem pela manhã com representantes do MST e da Fetape, o diretor de conflitos agrários do Incra, Gilmar Viana, prometeu agilizar os 85 processos de assentamento em Pernambuco que tramitam em Brasília. Ele frisou ser preciso que o diálogo se sobreponha à barbárie, sob pena de se perder o controle na Zona da Mata do Estado - área considerada crítica pelo Governo Federal.


