O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape) pediram ontem, em nota conjunta, a ‘‘imediata’’ prisão preventiva de Rui Ramos, dono do Engenho Camarazal, em Nazaré da Mata, onde na madrugada de domingo dois sem-terra foram mortos e outros seis ficaram feridos após ataque de pistoleiros. Os trabalhadores apontam Ramos como o mandante do ataque ao acampamento dos sem-terra. O Movimento dos Trabalhadores (MT-PE) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) também assinam a nota.
No manifesto, eles também repudiam a Federação Nacional e a Associação dos Fornecedores de Cana que publicaram anúncios, nos últimos 15 dias, na imprensa local, avisando ‘‘com arrogante antecedência e surpreendente impunidade, que iriam fazer despejos com as próprias mãos e que iriam organizar milícias para desempenhar poder de polícia’’.
Os trabalhadores querem, ainda, que a Polícia Federal atue nas investigações. Eles criticam o desempenho da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PE), que consideram ‘‘omissa’’. O diretor geral da SSP, Manoel Carneiro, explicou que uma mera suspeita não é suficiente para se pedir preventiva. Afirmou que o delegado designado para apurar o caso, Derivaldo Falcão, poderá solicitar a prisão ao juiz, ‘‘de quem quer que seja’’, desde que disponha de provas. ‘‘E ele está trabalhando nesse sentido’’. Rui Ramos só deverá ser ouvido na próxima semana.
Numa reunião ontem pela manhã com representantes do MST e da Fetape, o diretor de conflitos agrários do Incra, Gilmar Viana, prometeu agilizar os 85 processos de assentamento em Pernambuco que tramitam em Brasília. Ele frisou ser preciso ‘‘que o diálogo se sobreponha à barbárie’’, sob pena de se perder o controle na Zona da Mata do Estado - área considerada crítica pelo Governo Federal.

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