Dono de área onde houve crime não comparece a depoimento
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quinta-feira, 05 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O proprietário da Fazenda Santa Filomena, Francisco Carvalho Gomes, não compareceu ontem para depor na Delegacia de Terra Rica (57 km a noroeste de Paranavaí). Ele foi chamado para informar os motivos que levaram os proprietários e arrendatários a contratar seguranças para atuar na área. No último sábado pela manhã, cerca de 100 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram recebidas a tiros durante a ocupação da fazenda. O sem-terra Elias Gonçalves de Meura, 20 anos, morreu no local. Outros seis integrantes do MST ficaram feridos e foram encaminhados para fazer exame de lesão corporal.
Carvalho Gomes, que tem 74 anos, disse que não foi depor porque estava terminando o acompanhamento do transporte do gado da fazenda para outras áreas na região noroeste do Paraná. Ele contou que foi ameaçado pelos acampados, que já chegam a 650, segundo dados da Polícia Militar (PM). ''O seo Francisco foi apartar o gado e acabou sendo ameaçado com uma faca pelos sem-terra. Eles foi cercado e ficou muito abalado. Tivemos que levá-lo depois para o médico'', relatou o advogado Mário Hélio Loureiro de Almeida Filho.
A PM não nega a agitação dos sem-terra na chegada de Carvalho Gomes. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública, ''toda vez que o fazendeiro vai lá, os ânimos se acirram. Os sem-terra protestam, berram e ficam agitados''. O fazendeiro já deu queixa sobre as ameaças que foram feitas pelos sem-terra em Guairaçá (26 km a noroeste de Paranavaí). O arrendatário da Fazenda Santa Filomena, Luiz Faustino, também foi chamado para prestar depoimento, mas não compareceu.


