O administrador da Fazenda São Luiz, Ibrain José Barbino, que foi desocupada ontem pela Polícia Militar em Santo Inácio (111 quilômetros ao norte de Maringá) disse que vai entrar com uma ação de indenização por perdas e danos contra o Estado no valor de R$ 2 milhões. A fazenda foi ocupada em agosto de 1998 por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo o administrador, o proprietário Ciro Frare obteve a reintegração de posse dias depois da invasão mas não conseguiu que a determinação judicial fosse cumprida pelo Estado.
Mais de 250 policiais militares foram mobilizados para a desocupação. O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Gilberto Kummer disse que não houve resistência das famílias.
As famílias são de Santo Inácio, Cafeara e uma de Inácio Martins, na região de Guarapuava. Kummer afirmou que todas as pessoas foram cadastradas pela polícia para identificar possíveis ‘‘invasores’’ em uma próxima ocupação. ‘‘Se localizarmos as mesmas pessoas o próximo passo é a detenção’’, avisou o comandante. Segundo a PM, 38 famílias estavam na fazenda, mas o MST estimou em 46.
Barbino disse que o cálculo da indenização é feito com base na ausência de produção da São Luiz nos últimos dois anos e nos prejuízos que teriam sido causados pelos acampados. Barbino afirmou que os sem-terra destruíram 40 quilômetros de cerca, 80 caixas d’água, 80 mil metros de tubulação, 60 piquetes e dois galpões.
O sem-terra Ari Ramos, 46 anos, lamentava ontem a desocupação da fazenda. Ramos, que veio de Inácio Martins, ocupou a fazenda com a família. Há 14 anos no MST, o sem-terra contou que até hoje não conseguiu conquistar um lote.
Ramos disse que nos dois anos em que esteve na São Luiz manteve uma área de oito alqueires cultivada. ‘‘Agora plantei milho, mas já tinha cinco mil pés de mandioca’’, afirmou o sem-terra.

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