Brasília, DF- Cerca de duas mil donas de casa de todo o país iniciaram manifestação, ontem de manhã, na Esplanada dos Ministérios, reivindicando aposentadoria. As que chegaram cedo à Esplanada fizeram um ato público em frente à Catedral, usavando aventais roxos com os dizeres ''Tá na hora do Brasil retribuir''.
As donas de casa querem aposentadoria a partir dos 60 anos de idade, desde que sejam de famílias com renda igual ou menor do que dois salários mínimos e não recebam nenhum outro benefício assistencial ou previdenciário.
As manifestantes foram até o Congresso Nacional e entregaram aos presidentes da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e do Senado, José Sarney, um abaixo assinado com cerca de um milhão de assinaturas reivindicando a aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC-385 de 2001) que prevê a aposentadoria para as donas de casa. Antes, elas serão recebidas pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias e o Secretário Nacional de Previdência Social, Helmut Aschwarzer.
Para Teresinha Aparecida Leite, 53 anos, de Xanxerê, em Santa Catarina, a sociedade deve apoiar o movimento, para que as donas de casa conquistem a aposentadoria. ''Nós merecemos porque trabalhamos a vida inteira e não tivemos salário, justificou. A dona de casa e líder comunitária Aulália Gonçalves de Melo, 40 anos, também de Santa Catarina, completou. A gente sabe que, pelo menos, com essa aposentadoria não vai passar fome.
A concessão do benefício da aposentadoria para as donas de casa está causando polêmica. Para o funcionário público Alcir da Silva, a aposentadoria para as mulheres só é justa para aquelas que não têm renda e que estão passando privações. ''Se ela (dona de casa) não tem renda nenhuma e o governo tem a proposta de acabar com a fome e o desemprego, esta seria mais uma opção'', disse. Na opinião do estudante Jacir de Oliveira, o benefício só deveria ser concedido se a dona de casa pagasse o INSS.
A proposta, que faz parte da PEC paralela da reforma da Previdência, está sendo discutida no Congresso Nacional. Se for aprovada, deve beneficiar cerca de 1,2 milhão de mulheres.

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