Marcos Zanatta
De Maringá
Depois de conquistar a Delegacia da Mulher, o Conselho de Assistência à Mulher de Sarandi (7 km a leste de Maringá) fundou uma cooperativa de comercialização. Um loja foi montada na Galeria Gremes para vender o que as mulheres produzem em casa. São 64 donas de casa que ajudam ou garantem a renda familiar produzindo desde bijuterias até roupa infantil.
‘‘Algumas chegam a contar com a ajuda dos maridos’’, revela a presidente do conselho, Adahir Aires Pereira Abbonizio. Ela criou o conselho em 1993, quando trabalhava no Sindicato dos Servidores Municipais de Sarandi, e recebia muitas reclamações das mulheres.
As mulheres, lembra Adahir, não encontravam nenhum órgão que desse apoio nos mais diversos problemas. O maior era mesmo a violência em casa. Ela frisa que boa parte da população de Sarandi é de famílias de baixa renda, onde a violência está sempre presente. ‘‘Nós atendíamos as mulheres mas não tínhamos muito o que fazer até decidirmos fundar o conselho’’, explica. A prefeitura deu apoio e cedeu um local para o funcionamento do conselho.
No início, as mulheres eram apenas encaminhadas, mas o conselho passou a cobrar das autoridades a instalação de uma delegacia especializada. A Delegacia da Mulher de Sarandi foi implantada há apenas dois anos e já mudou a realidade local. ‘‘A violência contra a mulher caiu e continua caindo’’, garante Adahir. Dados mostram que as agressões sofreram uma redução superior a 70% com a abertura da delegacia. ‘‘Antes as mulheres não denunciavam porque se sentiam constrangidas diante do delegado e dos investigadores’’, recorda.
O conselho também se preocupou em capacitar as mulheres que não tinham condições ou não encontravam trabalho. ‘‘A gente sentiu também que muitas eram responsáveis pela manutenção do lar, mas faltava renda’’, diz Adahir. Através dos cursos, as mulheres começaram a produzir artigos de uso doméstico e roupas. Algumas das primeiras cooperadas do conselho, lembra ela, hoje geram até emprego para vizinhas. ‘‘A produção aumentou e surgiu a necessidade de abrir uma loja’’. Com ajuda do ex-prefeito Hélio Gremes, o conselho conseguiu uma loja cedida na galeria dele.
São 64 mulheres que participam da produção de uma centena de itens, mas a intenção do conselho é dobrar o número de ‘‘cooperadas’’ em um ano. As próprias cooperadas administram a loja. Elas se revezam na limpeza, nas vendas e nas despesas, que se resumem à taxas de energia e água. O valor pago pelas peças ficam com quem produz. ‘‘A grande vantagem da cooperativa é que as mulheres estão empregando até os maridos sem necessidade de deixar a casa e os filhos’’, afirma Adahir. Ela lembra ainda que apenas agora os municípios estão criando conselhos de apoio às mulheres.
Para as cooperadas, o conselho é uma forma de garantir a renda da família. A estudante Kelly Moraes da Silva, que ajudava a mãe a fazer enxovais para bebê, se tornou uma cooperada e produz bijuterias. ‘‘O conselho abriu uma oportunidade de renda para quem não encontra emprego’’, afirma. Ela diz que o atendimento na loja, feito em revezamento, é outra chance que as cooperadas tem de aprender a negociar. ‘‘A gente faz desde a limpeza até o fechamento do caixa, e não temos do que reclamar’’, comemora.

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