Dona Tomie, a única testemunha
Aos 93 anos de idade, Tomie Nakagawa é a última imigrante japonesa viva que chegou ao Brasil a bordo do Kasato Maru.
Ela era um bebê que fez a viagem no colo da mãe e pouco se lembra da infância vivida em Mogiana (no interior de São Paulo) e na capital paulista.
Ela vive em Londrina com uma das filhas, caminha com dificuldade e fala devagar, puxando da memória as histórias contadas pela mãe.
Era tudo muito difícil, aqui não tinha arroz nem peixe e eles não conseguiam se comunicar. As mulheres choravam muito.
Dona Tomie conta que, a exemplo de muitos outros, os pais vieram para o Brasil com a idéia de voltar dentro de poucos anos.
As dificuldades, porém, seguraram o casal por aqui durante 20 anos. Minha mãe nunca chegou a aprender falar português.
Quando os pais retornaram ao Japão, Tomie já estava casada e só voltou à terra natal duas vezes, uma delas para levar o marido doente para se tratar.
Gosto mais do Brasil, diz, com um leve sorriso nos lábios. (S.L.)





