Dona Maria encerra jornada aos 130 anos
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sexta-feira, 09 de julho de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Astorga - O sol triste de uma típica tarde de julho no norte-paranaense marcou o sepultamento simples da mulher mais velha do Brasil e, sem dúvida, uma das mais longevas do mundo. O pequeno vilarejo de Içara, distrito de Astorga, parou para prestar suas últimas homenagens à moradora mais ilustre, Maria Olívia da Silva, que somava 130 anos de uma vida assentada na simplicidade.
Dona Maria, como era chamada, não queria ir embora e dizia sempre que queria viver mais e mais, mas no comecinho da noite de anteontem encerrou sua jornada. Morreu nos braços do neto lavrador, José Roberto da Silva, 40 anos, e da amiga e cuidadora, Edna Pereira dos Santos, 55 anos, que lhe dedicara integralmente os últimos cinco anos.
No último dia entre aqueles que mais amava, dona Maria manteve a serenidade que a acompanhou durante todos estes anos. Por causa da saúde debilitada, permanecia quase o tempo todo na cama. Nem a banana, alimento preferido, conseguia mais comer. ''Uma coisa que me chamou a atenção foi que ela me disse que me amava muito e que queria levantar e andar um pouco'', recordou Edna.
Como fazia todo final de tarde, tomou uma sopinha de legumes e um pouco de água. Sob os olhares atentos e carinhosos dos dois cuidadores, virou-se de lado e fechou os olhos. ''Ela morreu feliz e foi uma morte linda, sem dor ou sofrimento. Agora fica a lembrança dela e a saudade'', emocionou-se Edna. ''O que vai ficar dela para mim é o amor que tinha em Deus, as orações lindas que fazia todo dia e a preocupação e o carinho que tinha comigo'', completou.
Sem ter como confirmar oficialmente a data e local de seu nascimento, dona Maria não era considerada a mulher mais velha do mundo, mas contava com orgulho que nasceu num frio dia 28 de fevereiro de 1880, em Varsóvia, Polônia. No Brasil, teria chegado aos três anos com a família. Cresceu no interior de São Paulo, depois veio ao Paraná, onde casou-se e teve 14 filhos - dez naturais e quatro adotivos. Três estão vivos. Netos e bisnetos e tataranetos passam de 300.
No anos 1960, todos seus documentos se queimaram em um incêndio mas ela seguiu em frente, vivendo um dia após o outro. ''Ela dizia que não queria morrer e não gostava de ser ajudada para fazer as coisas'', recordou o neto.
Dona Maria viveu tempos revolucionários. Guerras mataram milhões e ditadores subjugaram populações inteiras. O homem migrou do campo para as cidades. As distâncias foram encurtadas pelo telefone, automóvel, rádio, TV e Internet. A lua foi colocada sobre nossos pés. Só a velha senhora não mudou: à terra sempre esteve ligada, dela nunca se separou e para ela retornou querendo ainda viver mais um pouco.


