Dona de casa pode entrar na Justiça por "falso positivo" em exame de aids
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Zuleide de Barros, especial para a AE 
Santos, SP, 08 (AE) - A dona de casa L.N.S., de 27 anos, estuda a possibilidade de entrar na Justiça contra a Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SMS), no litoral paulista, por causa de diagnóstico errado em exame para detectar a presença do vírus da aids. Ela conta que fez o teste de HIV ao iniciar o tratamento pré-natal na Policlínica da Vila São Jorge, há um ano
quando foi informada que o resultado era positivo. Seguindo as recomendações médicas, passou a usar AZT para evitar a transmissão da doença ao bebê. Dois exames realizados pelo laboratório do Centro de Referência em Aids (Craids), da Secretaria Municipal de Saúde, confirmaram que ela era soropositiva. Por insistência da avó, o bebê foi submetido ao teste com três meses de idade. O resultado negativo chamou a atenção dos médicos. Depois disso, L. submeteu-se a dois novos exames, desta vez no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Santos, e no Laboratório Fleury, na capital. Em ambos, o resultado foi negativo.
Por causa da divergência nos resultados, a advogada Cynthia Llorens Cordeiro está reunindo toda a documentação necessária, como prontuários médicos, para acionar judicialmente a prefeitura por danos morais à jovem e à sua família. "Não podemos esquecer que não só Lucimara, mas todos os seus familiares viveram um ano de sofrimento desnecessário", observa. De acordo com o responsável pelo laboratório do Craids, o médico Luiz Alberto Vieira dos Santos Júnior, muito provavelmente, Lucimara "deu azar" de cair na faixa dos 2% dos testes enquadrados como "falsos positivos". Ele explica que, por esta razão, a equipe técnica da secretaria tem tomado todos os cuidados necessários no sentido de realizar um segundo teste, além de fazer uma investigação apurada com o paciente.
O teste, segundo o médico, é muito sensível, mas é pouco específico, porque deixa uma margem de 2% descobertos, já que a própria gravidez e doenças como lupus eritematoso, além de vacinas como a da hepatite B, gripe e febre amarela podem interferir no resultado, mostrando um falso positivo. "Estamos muito tranquilos em relação aos procedimentos adotados pela equipe técnica que segue rigorosamente os protocolos recomendados pelos organismos internacionais", garantiu o médico.


