Dona de casa diz que passou a ser ameaçada após fazer denúncia
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 21 (AE) - A dona de casa Jurgleide Pereira da Silva Lelis afirmou hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais que passou a ser ameaçada depois de denunciar que ruas eram fechadas irregularmente para a criação de condomínios na região de Pirituba.
Na quarta-feira, uma bomba foi jogada em sua casa no City América. Segundo ela, foi a terceira vez que isso ocorreu. Ela também disse que recebeu ameaças por meio de telefonemas anônimos.
Ela afirmou que foi à Administração Regional de Pirituba diversas vezes para denunciar o caso. Em todas, conversou com o assessor de imprensa da regional da época, Paulo Leite. Ele hoje é chefe de gabinete da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) e em seu depoimento à comissão negou ter trabalhado na regional. Jurgleide também visitou pessoalmente a Câmara para tratar da questão.
Conversou com um assessor de Maeli, que lhe disse não poder fazer nada com relação ao caso. De acordo com ela, ele disse que havia gente grande "por trás".
Além de Jurgleide, a CPI também ouviu hoje o depoimento do estudante de direito Alexandre Soares de Souza. Ele trabalhava para Maeli como estagiário atendendo à população em questões jurídicas. Ele também acompanhava a vereadora quando ela fazia a entrega de cestas básicas em bairros, filmando essas entregas em vídeo.
Ele disse aos membros da comissão que Elizeu Sanches, que era motorista de Maeli, foi à sua casa na quarta-feira perguntar pelas fitas, que Soares afirmou estarem com Maeli. Sanchez, então, teria ameaçado tornar púlico um documento que o comprometeria.
Hoje, o vereador Wadih Mutran (PPB), ao interrogar Soares, mencionou o documento. Soares disse conhecê-lo, por meio de Sanchez, mas que as denúncias contidas nele eram falsas. Mutran recebeu o documento em sua casa, de forma anônima. O vereador o mostrou à Soares, mas não revelou seu conteúdo.
Lapa - O fiscal Januário da Costa Santos, da Administração Regional da Lapa, também foi ouvido hoje pelos membros da CPI. Ele confessou que assinou indevidamente como testemunha o termo de fechamento da empresa Brasilk e que depositou em parcelas, cerca de R$ 3 mil ao ex-administrador regional Gilberto Trama.
O proprietário da Brasilk, em seu depoimento à comissão, havia declarado que foi obrigado a fornecer material de campanha para Willians José Izar, irmão do vereador José Izar (PFL) para conseguir a liberação de seu alvará de funcionamento. O parlamentar controlava politicamente a regional.


