Curitiba - Um dos principais líderes do PCC foi um dos responsáveis pelas rebeliões ocorridas no Paraná durante o governo Jaime Lerner (PSB). José Márcio Felício, conhecido como Geléia ou Geleião, contou que o PCC foi fundado como uma espécie de reação aos maus-tratos e injustiças que ocorriam nos presídios contra os apenados. Em pouco tempo, eles já estariam dominando o tráfico de armas, de drogas e sequestros através da utilização de telefones celulares. Geléia confirmou que o PCC tem ramificações no Paraná.
O vice-presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná, Valério Staback, confirmou a existência da facção criminosa paulista nos presídios paranaenses. Os principais líderes estariam concentrados na Prisão Provisória de Curitiba (PPC) e na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP).
''A situação é preocupante porque eles são muito organizados. É uma organização consistente. Neste momento eles estão quietos. Mas sabemos que eles podem programar de repente uma rebelião'', alertou o agente. Staback informou que os presos do PCC atuam nos bastidores, sem a interferência da direção ou dos servidores penitenciários.
''Eles têm poder de organização. A sociedade alternativa do PCC funciona bem. Imagine a estrutura de um quartel, que tem uma hierarquia, postos. Eles são assim. E os demais são muito obedientes a eles. Existe toda uma ética deles que é respeitada nos presídios'', informou.
Os agentes e servidores penitenciários são rotulados pelos presos do PCC. Se tentam demonstrar serviço, são rotulados de ''sangue ruim'' e são perseguidos. ''Qualquer atitude de desrespeito é uma afronta ao comando do PCC. Eles são muito inteligentes. Infelizmente hoje o conjunto penitenciário anda na esteira da organização deles''.
O advogado criminalista e integrante do Conselho Penitenciário do Paraná, Dálio Zippin Filho, acredita que o PCC se fortaleceu no Estado com as rebeliões ocorridas no início de 2000. Para ele, as unidades prisionais estão contaminadas por células criminosas ativas e bem organizadas. Estas células se fortaleceriam com um aparato de comunicação disponível nas cadeias. Zippin Filho lembrou que, além de Geléia, outro líder do PCC esteve no Paraná: Marcos Wilian Herbas Camacho, conhecido como ''Marcola''.(L.P.)

mockup