Quando a professora universitária Ana Cláudia Freitas, de 39 anos, decidiu apadrinhar afetivamente uma das crianças que vivem em instituições de acolhimento de Londrina, ela não imaginava como esta ação lhe seria gratificante. A educadora e a menina, de 9 anos, estão se vendo semanalmente desde setembro. Juntas, fazem passeios e atividades simples, mas que são também como uma descoberta para o universo da criança. Já assistiram a um espetáculo de balé, fizeram piquenique na beira do Lago Igapó e leram juntas livros infantis. "O domingo, que era aquele dia morto, ganhou vida agora", define Ana Cláudia.
Ela já conhecia a dinâmica do projeto, a partir de iniciativas semelhantes desenvolvidas em outros Estados. Assistiu depoimentos, testemunhos, reportagens e começou a buscar uma forma de participar do "Abrace um Futuro" em Londrina. A afinidade com a afilhada foi natural, conta. "No começo, ficava preocupada sobre o que faríamos juntas, mas percebi, como outros padrinhos, que as crianças estão mais interessadas em conhecer nossa casa, nossa família, do que fazer apenas um passeio", pontua a professora.
Neste encontros, Ana Cláudia procura estimular bons hábitos na criança, como a leitura além da escola. Tanto que está montando uma pequena biblioteca com livros e filmes infantis para passar o tempo com a afilhada. "Quero proporcionar a ela experiências duradouras. Tento mostrar que ela pode ser uma pessoa vitoriosa", define. Agora, madrinha e afilhada se preparam para passar o primeiro Natal juntas. A diversão ficará por conta da montagem da árvore natalina e da criação de presentes para serem trocados em um amigo secreto no dia 25 de dezembro. "É importante que ela entenda a lógica da reciprocidade", comenta a madrinha, ao completar que o apadrinhamento afetivo não pode ser visto como um favor para crianças e adolescentes abrigados.
"Na verdade todos nós temos dívidas sociais com os mais vulneráveis. As pessoas não podem abraçar o mundo todo, mas podem abraçar uma causa. É algo que vale muito a pena. Tenho certeza que, daqui a alguns anos, minha afilhada terá feito escolhas, principalmente profissionais, ajudadas por mim", enfatiza Ana Cláudia. (A.L.)

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