Doméstica é presa acusada de matar a prima num lago do Ibirapuera
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 17 (AE) - A polícia deteve hoje a empregada doméstica Maria do Carmo Jesus Almeida, de 19 anos, sob a acusação de ela ter assassinado a prima Maria Dias Guimarães, de 22, num lago do Parque Ibirapuera, zona sul de São Paulo. Fundamental para a apuração do crime, a reconstituição mostrou que o lago tem entre 40 centímetros e 1,5 metro de profundidade no local onde a acusada disse que a prima se afogou. "Não tenho mais dúvidas de que houve um assassinato", afirmou o delegado Célio Gomes de Andrade, assistente do 36.º Distrito Policial.
Maria do Carmo estava desaparecida desde sábado, quando sua prima morreu. Elas foram ao parque para uma sessão de fotos, o que foi confirmado pelo fotógrafo Antônio Juvêncio, que as encontrou no parque. Maria Dias conheceu um ciclista com quem ficou conversando. Trocaram beijos e depois separaram-se. Maria do Carmo reclamou da demora da prima. Ela disse que estavam discutindo quando empurrou Maria Dias, que revidou com um tapa. Elas se atracaram e caíram no lago. "Eu tentei salvá-la, mas ela ia cada vez mais para o fundo", afirmou Maria do Carmo.
A prima, segundo ela, agarrou-lhe os cabelos e arranhou seu rosto, depois, começou a engolir água e afundou. Quando a viu afundar, disse ter apanhado a bolsa da prima e a atirado fora do lago. Deixou-a lá. Não retirou nada, nem mesmo sua carteira de identidade. "Ela não se preocupou em socorrer a vítima", afirmou o delegado. A empregada caminhou até a saída do parque. "Não encontrei ninguém que pudesse socorrê-la", afirmou Maria do Carmo. Ela disse que tinha certeza de que a prima havia morrido.
Nesses quatro dias, a acusada perambulou por São Paulo. Na noite de ontem, foi vista por uma amiga, Liliane de Jesus Araújo, perto de um supermercado próximo da Avenida Washington Luís, na zona sul. "Só então fiquei sabendo que a polícia estava me procurando", disse. A amiga levou-a ao supermercado, onde um vigia telefonou para a polícia. Fatalidade - Maria do Carmo foi levada por um carro da PM para o 11.º Distrito Policial e, de lá, para o 36.º DP, responsável pela investigação do caso. Pela manhã, prestou depoimento. "Não me sinto culpada de nada, não me sinto mesmo", disse. "Foi uma fatalidade". O depoimento durou quase uma hora. Naquele momento
ela foi indiciada sob a acusação de homicídio culposo (quando não há intenção de matar).
Depois do almoço, a doméstica foi levada pelos policiais ao parque para mostrar o local onde a prima se teria afogado. Uma equipe de peritos do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi fazer a reconstituição do crime, com base na versão da acusada. Com a ajuda do Corpo de Bombeiros
foi medida a profundidade do lago, no trecho apontado por Maria do Carmo como sendo o local da morte. Laudo - "Se ela indicou o local certo, a versão apresentada pela acusada é incompatível com um afogamento acidental", disse o perito Agostinho Salgueiro. Além da pouca profundidade, o fundo do lago não é lodoso, mas cheio de pedras. O laudo do Instituto Médico-Legal aponta que Maria Dias não tem nenhuma lesão no corpo e a causa da morte foi afogamento.
O delegado decidiu pedir ao 1.º Tribunal do Júri a decretação da prisão preventiva de Maria do Carmo. E resolveu mudar o indiciamento para homicídio doloso (quando há intenção de matar). Até o início da noite de hoje, a Justiça não se havia manifestado.


