A dona de casa Vilma Martins, 47 anos, que se tornou conhecida pela acusação de ter sequestrado da maternidade Osvaldo Borges Martins Júnior, o Pedrinho, e Roberta Jamilly Martins Borges, a Aparecida Fernanda, para criar como filhos seus, pode ter tentado levar crianças no Paraná. É o que conta a empregada doméstica Regina Márcia da Silva, 42 anos, que mora em Cornélio Procópio.
Esta semana, ela afirmou a duas rádios da cidade que há cerca de dez anos, em outubro de 1993, uma pessoa muito parecida fisicamente com Vilma tentou levar suas três filhas. ''Eu a reconheci na televisão no começo desta semana, quando a vi sendo levada pelo carro da polícia. Antes, eu já tinha visto o rosto dela na imprensa mas não tinha prestado muita atenção'', contou Regina, em entrevista à Folha.
A doméstica diz que, na ocasião, a mulher que seria Vilma veio à sua casa com um mandado judicial e disse que era juíza. ''Ela falou que um funcionário do Abrigo (da Infância e Juventude de Cornélio) devia ter buscado minhas filhas e não fez isso, então, ela mesma veio levar as crianças. Na época, eu estava sendo vítima de denúncias injustas de maus tratos contra as meninas. Ela disse que eu deveria deixar minhas filhas com ela e comparecer ao Fórum às 14 horas'', afirma Regina. Vilma estaria acompanhada de outra mulher e um homem. ''Quando eu a vi na tevê, tive uma certeza de 95% de que era a mesma pessoa. Só que na época ela estava mais magra e com o cabelo loiro'', diz a doméstica.
As meninas tinham seis, quatro e três anos. Regina contou que não deixou a mulher levar as crianças devido ao horário inusitado da visita, seis horas da manhã num dia de semana. ''Além disso, uma vizinha me alertou que o carro não era daqui, o que era verdade. Era um Del Rey cinza com placa de Londrina, que, depois descobriram, era fria'', afirma ela. ''Na hora, desesperada, eu liguei para um programa de rádio, e o locutor me disse para não entregar as meninas. A mulher tentou entrar na casa e começamos a gritar. Aí, ela foi embora''.
A história é confirmada em parte por Sidney Ribeiro, presidente do Abrigo. ''Na hora em que aconteceu, lembro que a Regina ligou pra mim. Nós chamamos a polícia, mas quando chegaram não tinha mais ninguém'', diz ele. Ribeiro relata que nunca houve ordem judicial para que as crianças fossem tiradas da casa de Regina. Na época, a doméstica não registrou queixa.
''Não me deram atenção. Eu queria fazer um retrato falado, mas me ignoraram'', conta ela. Depois que reconheceu Vilma na televisão, Regina ligou para a Polícia Civil de Goiânia. ''Mas não me deram atenção também'', afirma. O delegado-adjunto da 11 Subdivisão Policial (SDP), Agenor do Nascimento Filho, diz que não se lembra do caso. ''Eu não fui procurado. Talvez ela tenha consultado outro delegado, mas como delegado-adjunto, eu saberia desse caso'', afirma. O delegado-chefe, José Gomes de Oliveira Sobrinho, estava viajando ontem. A Polícia Militar, o Ministério Público de Cornélio e a Polícia Federal também desconhecem o caso.

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