Indaiatuba, SP, 19 (AE) - O bispo de Pelotas (RS), dom Jayme Chemello, de 66 anos, foi eleito hoje o novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Numa eleição apertada, realizada durante a 37ª assembléia geral da entidade no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, interior de São Paulo, ele obteve 146 votos contra 122 do outro candidato, o bispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes. Considerado da ala progressista, dom Jayme disse que a Igreja continuará opinando sobre a política econômica do governo e insistindo na implantação da reforma agrária. "Nós não somos um partido de oposição, mas quando a Igreja perceber coisas que ferem a dignidade humana, vai dizer não, afirmou. Ele comentou a posição do presidente Fernando Henrique Cardoso, que na semana passada disse que a Igreja não deve opinar sobre questões de política econômica. "A economia não é dona do mundo e ele (o presidente) também não é economista", disse o religioso.
De acordo com o novo presidente da CNBB, a Igreja vai continuar se manifestando sobre a economia do ponto de vista ético. "Vamos colaborar para ajudar o povo", afirmou. Segundo o bispo, as decisões importantes não devem ser tomadas por economistas. "Isso compete ao povo", disse. Apesar das divergências, o religioso disse que o presidente "tem se mostrado muito acolhedor". Prioridades - Como presidente da CNBB, dom Jayme antecipou que sua prioridade será promover uma grande comunhão com o papa João Paulo II, fortalecer a união entre os bispos, e "olhar o povo pobre com muito amor". O religioso, que era vice-presidente da entidade, já comandava o episcopado nacional interinamente desde o ano passado, quando o então presidente, dom Lucas Moreira Neves, foi chamada pelo Vaticano para a prefeitura da Congregação para os Bispos.
"Essa é a primeira vez que sou eleito presidente e espero que seja a última", afirmou. Embora não seja contra a reeleição, o religioso disse que o cargo é muito desgastante. "Um mandato é muito difícil", explicou. Em relação às diversas alas dentro do episcopada, disse que esta é uma característica saudável. "É bom que haja a pluralidade de pensamentos", garantiu. Eleição - O nome do bispo de Pelotas só foi definido no terceiro escrutínio, quando há necessidade de maioria simples dos votos. Nos dois primeiros, são necessários dois terços dos votos para resultar na vitória. Os nomes do vice-presidente e do secretário geral da CNBB ainda não haviam sido escolhidos até o começo da noite. Entre os candidatos concorriam dom Marcelo Cavalheira, de Paraíba (PE), dom Geraldo Majela Agnelo, de Salvador (BA), e o próprio dom Claudio Hummes, que havia disputado a presidência.
Embora o nome do bispo de São Paulo estivesse bem cotado
a eleição de dom Jayme já era esperada. "Esse resultado expressa o desejo pela continuidade", afirmou o bispo de Jales (SP), dom Demétrio Valentini, responsável pela pastoral social. Para ele, a eleição do bispo de Pelotas representa o equilíbrio de forças dentro do episcopado nacional. "Ele representa uma vida intensa dentro da igreja e, ao mesmo tempo, a abertura para os grandes problemas sociais", disse.
O bispo de Duque de Caxias (RJ), dom Mauro Morelli, que no início do encontro havia se manifestado contra a reeleição e o sistema de escolha dos candidatos, disse que dessa vez houve um pequeno avanço. "Houve espaço para manifestarmos nossas idéias". Segundo ele, porém, possibilidade de reeleição deveria ser retirada dos estatutos da entidade. "O revezamento possibilita maior oxigenação".

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