Recife, 01 (AE) - O sétimo dia da morte do arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Hélder Câmara, será celebrado amanhã (02) com duas missas, em horários e locais diferentes. Uma, organizada pelo arcebispo dom José Cardoso Sobrinho, de linha conservadora, que sucedeu dom Hélder em 1987 e desmontou toda a estrutura pastoral construída pelo seu antecessor. A outra, pela organização não-governamental (ONG) Obras de Frei Francisco (OFF), criada por dom Hélder e da qual participarão seus amigos e o clero progressista que a ele era ligado.
A missa oficial será celebrada pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles, atendendo a convite de dom José Cardoso, às 19h30, na Igreja da Sé, em Olinda, onde o corpo do arcebispo emérito foi sepultado na noite do sábado. A missa dos seguidores de dom Hélder será às 17 horas, na Igreja das Fronteiras, no Bairro da Boa Vista, no Recife, onde ocorreu o velório e onde dom Hélder morou durante 31 anos, numa pequena casa nos fundos do templo. Esta terá como celebrante o padre João Pubben, que ajudava o religioso a rezar missas diárias nas Fronteiras.
A realização das duas missas expressa a cisão existente na arquidiocese desde a chegada de dom José. Tão logo assumiu o cargo, ele extinguiu o Instituto de Teologia do Recife (Iter), o Seminário Regional Nordeste 2 e a Comissão de Justiça e Paz (CJP), que serviam de instrumento para a pastoral popular adotada por dom Hélder nos seus 21 anos de arcebispado, sempre defendendo uma igreja voltada para os pobres e excluídos e a favor dos direitos humanos. Cerca de 30 padres também foram afastados da arquidiocese e as comunidades eclesiais de base perderam espaço nas paróquias.
Embora dom Hélder nunca tenha reclamado publicamente nem admitido qualquer mágoa em relação ao seu sucessor, dom José Cardoso Sobrinho nunca foi aceito pelos que seguiam a linha do arcebispo emérito. No velório, os padres progressistas que se encontravam na Igreja das Fronteiras retiraram-se do local, no momento da chegada de dom José. À noite, no sepultamento, o arcebispo não escapou de ouvir vaias de fiéis indignados com a sua presença.
Também está sendo preparada uma celebração ecumênica, na tarde do sábado, para homenagear o arcebispo que morreu de insuficiência respiratória aos 90 anos na sexta-feira às 22h20. Todas as religiões cristãs e não-cristãs estão sendo chamadas e avisadas para levar uma vela a ser acesa durante a cerimônia. O ato está sendo promovido por movimentos cristãos populares.

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