O ex-arcebispo de Londrina dom Geraldo Majella Agnelo pode ser o novo cardeal do Brasil. A nomeação deve ser anunciada pelo papa João Paulo II no mês de fevereiro quando acontece, em Roma, o consistório, uma reunião tradicional do pontífice com os cardeais do mundo.
Dom Geraldo, que esteve em Londrina no início da semana para tratamento dentário, disse que a sua possível nomeação se deve ao fato de estar à frente da Arquidiocese de Salvador, a primeira do Brasil – que este ano completa 450 anos – tradicionalmente ocupada por cardeais desde 1953. O arcebispo diz que aguarda com serenidade a indicação. ‘‘Se for nomeado significa um sinal de confiança e reconhecimento para a primeira sede do País’’.
O Vaticano deve nomear 30 novos cardeais em todo o mundo pois, como explica o arcebispo, o papa precisa manter completo o seu colégio cardinalício, com 120 cardeais, número necessário para se entrar em um conclave para a eleição de um novo papa. As vagas disponíveis foram deixadas pela aposentadoria de alguns e o falecimento de outros.
Cardeal, como explica dom Geraldo, é um título dado a um bispo, assim como o arcebispo. Nas atribuições, além de votar e ser votado, ele integra o conselho dos colaboradores do sumo pontífice: ‘‘Funciona como o senado do papa’’.
A nomeação de novos cardeais não significa, segundo dom Geraldo, que o papa possa renunciar ao cargo. Ele afirma que, apesar da fragilidade de sua saúde, o pontífice ainda tem fôlego para continuar à frente da Igreja. ‘‘Eu não acredito em renúncia, isso tudo são boatos’’.
No Brasil há hoje quatro cardeais atuando: em Aparecida (SP), Brasília (DF), Rio de Janeiro e Belo Horizonte (MG) e um emérito, dom Paulo Evaristo Arns que, por idade, deixou a Arquidiocese de São Paulo. O nome de dom Geraldo foi cogitado também para assumir a direção da Arquidiocese do Rio de Janeiro no lugar de dom Eugênio Sales, que completou 75 anos, idade determinada pelo Vaticano para a aposentadoria. Mas ele nega a indicação.
Dom Geraldo Majella foi bispo de Toledo e arcebispo de Londrina onde ficou no período de 1983 a 1991, quando foi chamado pelo papa João Paulo II para trabalhar no Vaticano. Lá permanenceu até o ano passado como secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. A congregação é responsável por todas as questões litúrgicas da Igreja Católica, o secretário é o segundo responsável pelo trabalho. O arcebispo deixou o Vaticano para assumir a Arquidiocese de Salvador.
Dom Geraldo é o co-fundador da Pastoral da Criança que teve início na cidade de Florestópolis, na Arquidiocese de Londrina.

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