Dom Geraldo Agnelo é nomeado cardeal
O papa João Paulo II anunciou ontem, no Vaticano, na oração do Angelus, que o arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella Agnelo, e o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, passarão a ser cardeais. Ao todo, o papa oficializou o nome dos 37 novos cardeais, entre eles os dois brasileiros, que serão empossados no dia 21 de fevereiro.
Com estas nomeações, o colégio cardinalício ficará com 178 membros, dos quais 128 têm menos de 80 anos e votarão na eleição do novo papa. Os cardeais funcionam como conselheiros do papa e são designados para fazer parte de congregações, institutos e comissões do Vaticano.
Arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo atribuiu sua inclusão entre os novos cardeais ao reconhecimento da importância da capital baiana como primeira sede da Igreja no Brasil e uma das pioneiras da América Latina, completando 450 anos em 2001. Segundo ele, a tradição foi mantida, pois desde 1953, os quatro arcebispos que o antecederam também foram nomeados cardeais.
Agora, estamos à disposição para colaborar com o Papa e com as congregações romanas, disse o novo cardeal, que esteve em Londrina na semana passada e, em entrevista à Folha comentou sobre a provável nomeação.
Arcebispo de Londrina por cerca de oito anos, dom Geraldo substituiu o cardeal Dom Lucas Moreira Neves na capital baiana, quando ele foi nomeado Prefeito da Congregação para os Bispos. Entre 1978 e 1982, foi bispo da diocese de Toledo (PR), de 83 a 91 foi arcebispo de Londrina e, desde 1991, era secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Ontem, durante todo o dia dom Geraldo Majella Agnelo recebeu homenagens dos católicos e aproveitou para fazer um balanço de sua atuação em um ano e 10 meses à frente da Igreja no Brasil. Segundo ele, o número de fiéis católicos tende a aumentar, graças à nova busca de formação de sacerdotes entre os afro-descendentes.
Dos últimos 11 que ordenei, oito são afro-descendentes, facilitando a identificação com a maioria dos fiéis, disse o cardeal, que tem entre os bispos auxiliares, um afro-descendente, Gílio Felício.
O arcebispo de Salvador vem ganhando a simpatia dos baianos, independente de credo, por sua posição assumidamente crítica em relação à questões sociais graves do País, além de defender a compreensão entre os católicos e adeptos de outras religiões, inclusive o candomblé, reconhecendo o forte sincretismo entre os baianos.
Desde que assumiu a função, dom Geraldo tem criticado o aumento do desemprego e a desigual distribuição de renda no País. Para dom Geraldo Majella, é um escândalo um porcentual tão pequeno da população possuir tanto e uma parcela grande, não ter nada.
De acordo com o arcebispo, o trabalho é um direito do homem. Queremos o bem da pessoa, do homem e não de alguns e de algumas instituições, afirma. É dever da Igreja alertar que o homem não pode ser relegado a segundo plano.
Entre os 37 cardeais nomeados por João Paulo II, dez são da América Latina e poderão substituir o papa na linha sucessória. Questionado sobre a possibilidade de o próximo papa ser latino-americano, dom Geraldo Majella Agnelo afirmou que a indicação não lhe causaria surpresa. Segundo ele, desde que o polonês João Paulo II quebrou uma tradição de 400 anos de papas italianos, a indicação de um americano, asiático ou africano não seria novidade.
Hoje o Brasil possui quatro cardeais em atividade em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Aparecida (SP) e Rio de Janeiro (RJ). O ex-arcebispo de São Paulo dom Paulo Evaristo Arns, que é cardeal emérito, está aposentado. Com as indicações de hoje, João Paulo II aumenta sua influência sobre a escolha de seu sucessor, já que se tornou o reponsável pela escolha de todos os cardeais que irão votar, com exceção de dez - desde o início de seu pontificado, em 1978, ele nomeou ao todo 154 cardeais.





