Dom Chemello quer negociar agenda para reduzir pobreza
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 28 (AE) - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello, disse hoje que concorda com a cobrança de contribuição provisória de inativos, se for para acabar com privilégios. "Se é verdade que a previdência tem rombo, alguma coisa tem que ser feita para corrigir", afirmou o bispo. Dom Chemello foi cauteloso, contudo
ao tratar do assunto. Afirmou que há "coisas mais profundas" para serem discutidas e adiantou que proporá ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, a discussão de uma agenda de combate à pobreza.
"Se é verdade que só paga quem tem benefícios acima de R$ 600 reais, o pobre não perde nada; o zé povinho não vai perder nada", disse dom Chemello em relação à proposta de taxação dos inativos. "Quem vai perder é quem ganha muito dinheiro e esses sabem se defender", emendou.
A visita de Malan à CNBB no início da semana foi qualificada por dom Chemello como um início de diálogo com o governo. "O próximo passo será o de tratar de temas concretos, como a própria previdência, as desigualdades sociais, a distribuição de renda", explicou o bispo. "É preciso concretizar coisas de forma bem objetiva", salientou dom Chemello. Ele pretende obter o consenso em relação aos temas com as entidades do movimento social, como a CUT e MST e com as associações de classe, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o presidente da CNBB, Malan tem uma visão mais econômica e apontou dados estatísticos de melhoria dos indicadores sociais
enquanto a igreja preocupa-se mais com o aspecto moral e ético da situação do País. "O que nos une (igreja e governo) é o fato de termos de responder ao anseio do povo", disse o bispo, que recomendou ao católico ministro rezar o Pai Nosso antes de assinar atos. "O pão nosso de cada dia, nos dai hoje", citou dom Chemello, simbolizando as necessidades imediatas da população. "A economia deve ser aplicada para ajudar o povo", disse.
Em novembro, dom Chemello terá um encontro com representantes do Banco Mundial, com os quais discute a ajuda proporcionada pela entidade ao Brasil. "Infelizmente, o que é oferecido é uma esmola", afirmou.


