Dom Arns pede mais luta por justiça em mensagem
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quinta-feira, 25 de dezembro de 1997
Cristiane Segatto Agência Estado São Paulo 
O cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, conclamou a população a lutar por mais justiça e verdade com o apoio da Igreja. Durante a mensagem de Natal divulgada ontem na residência episcopal do bairro do Brás, disse que este será um Natal triste para os pobres, embora os números do comércio indiquem um melhor momento do que as festas do ano passado. Pelas compras da população, este Natal parece 10% melhor, mas o povo está triste porque não tem comida, roupas, moradia e a alegria de um bom futuro, afirmou. Dom Paulo frisou que cerca de 2,5 milhões de moradores da Capital não dispõem desses itens básicos de sobrevivência.
O religioso pediu mais justiça no campo e na cidade e entendimento entre famílias e vizinhos. Que a reforma agrária seja instituída com boa base para trazer resultados e nenhuma morte violenta ocorra no Natal, desejou.
O cardeal-arcebispo posou ao lado de uma imagem de São Francisco de Assis, seu ideal de vida até o fim da existência. Afirmou que, assim como o santo ensinou, o Natal representa um recomeço para um povo desanimado. Neste momento de desânimo, desejamos que o choque que vem do Oriente se transforme em uma bênção do Oriente Próximo, de Jerusalém e do Menino Jesus. O religioso disse que gostaria de ser lembrado como o cardeal da reconciliação da democracia autêntica.
FardoDom Paulo também mostrou-se ansioso pela definição do nome de seu sucessor na Arquidiocese. Após completar 75 anos, ele apresentou sua renúncia ao Vaticano, como manda a tradição. O papa aceitou o desligamento em setembro, mas pediu que dom Paulo não abandonasse o cargo enquanto o sucessor não fosse anunciado. Angustiado com a indefinição, ele contou o diálogo que manteve com o secretário do Vaticano, Angelo Sodano. Pelo amor de Deus, quando saberei o nome do meu sucessor, que possivelmente será melhor do que eu?, perguntou .
Pacientemente, Sodano respondeu: O senhor carregou o fardo de São Paulo com muito amor durante tantos anos e agora deverá carregá-lo nos dois ombros. Enquanto aguarda uma definição do Vaticano para os próximos meses, dom Paulo tem dúvidas sobre o que fará no futuro. Por enquanto, planeja cuidar de velhos e crianças. Vou me consagrar de corpo e alma a eles, honrando o passado e o futuro, disse.
No fim de janeiro, dom Paulo será submetido a uma cirurgia no nervo ocular esquerdo, que sofreu câncer e o impede de ler e escrever. Ele pretende continuar estimulando os fiéis a exercer a cidadania. O povo tem poder de influir e, nesse momento de confusão ideológica e religiosa, devemos abrandá-la com o amor, concluiu.


