Doleiro londrinense acumula prisões
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terça-feira, 18 de março de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Entre os presos há dois dias pela Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato, está Alberto Youssef, de Londrina. Na operação, a PF prendeu, além dos quatro doleiros, outros 20 suspeitos. Foram cumpridos ainda 81 mandados de busca e 15 de condução coercitiva. A ação resultou na apreensão de R$ 5 milhões, 25 veículos, joias, quadros de pintores renomados e documentos.
O empresário Youssef é conhecido há mais de uma década pelo seu envolvimento em escândalos, sobretudo de lavagem de dinheiro, no município e no Estado. Foi preso várias vezes após investigações do Ministério Público e Polícia Civil.
Um dos casos mais conhecidos é a suposta participação do doleiro no escândalo AMA-Comurb. Ele teria desviado R$ 120 mil do município de Londrina em licitação fraudulenta na antiga Autarquia Municipal do Ambiente, cujo dinheiro teria abastecido uma conta fantasma no extinto Banestado. A conta em questão, em nome da empresa falsa Freitas&Dutra, seria apenas uma entre 32 contas fantasmas abertas em agências do Banestado e supostamente movimentadas pelo empresário. Por essas contas passaram, apenas de maio de 1998 a janeiro de 1999, cerca de R$ 150 milhões.
O rastreamento do dinheiro desviado da AMA e lavado na contra bancária da Freitas & Dutra culminou na prisão preventiva do doleiro, em dezembro de 2000. Ele ficou 19 dias na carceragem do 3º Distrito Policial e foi libertado por meio de liminar obtida no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ). Dias depois, em janeiro de 2001, foi novamente preso, pela mesma acusação, e conseguiu ser solto, mais uma vez, em caráter liminar, graças a um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
Em maio de 2001, Youssef foi alvo de novo pedido de prisão do Ministério Público (MP). Esta já era a quarta ação criminal, em que, desta vez, era acusado pela lavagem de R$ 50 mil da extinta Comurb.
As investigações não param por aí. Em novembro de 2003, o doleiro foi preso pela terceira vez, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, como um dos investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, que o colocava como responsável pelas contas fantasmas. Na mesma época, era suspeito de ter fraudado o governo do Paraná. A Copel teria comprado, em 2002, créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) irregulares de uma empresa falida, num total de R$ 40 milhões, depositados em contas fantasmas com ajuda do doleiro. Era ainda suspeito de sonegação, nesse mesmo período, de cerca de R$ 118 milhões em impostos, por intermédio de sua empresa, a Youssef Câmbio e Turismo.
Em junho de 2004, depois de preso novamente, o doleiro foi condenado pela Justiça Federal a sete anos em regime semiaberto e ao pagamento de multa equivalente a 9,5 salários mínimos, em denúncia feita pelo Ministério Público Federal, por conta de crimes contra a ordem tributária e sistema financeiro nacional, formação de quadrilha e falsidade ideológica.
Na segunda-feira, Alberto Youssef foi detido em um hotel no Maranhão por policiais federais envolvidos na Operação Lava Jato. A reportagem entrou em contato com familiares em Londrina para tentar ouvir o advogado de defesa do doleiro, mas ninguém quis se pronunciar sobre o caso. A PF informou que não havia novidades acerca da Operação Lava Jato ontem.


