Buenos Aires, 22 (AE) -- Economistas, analistas econômicos, políticos e analistas políticos voltaram a descartar qualquer possibilidade de mudança no regime de conversibilidade (paridade de um a um entre o peso e o dólar) da Argentina. Mesmo se houvesse um ataque especulativo insustentável, a exemplo do que acabou derrubando moedas na ásia e até o real no Brasil, nenhum economista, e muito menos um político, tomaria uma decisão de afundar o país. Essa posição unânime foi transmitida ontem à noite pelos principais analistas econômicos e políticos argentinos, entre eles Rosendo Fraga, Manuel Mora y Araujo, Graciela Ronimer e Felipe de la Balzac, entre outros, aos jornalistas brasileiros que foram à Argentina para cobrir as eleições presidenciais deste domingo.
"No caso de um ataque especulativo contra o peso, será mais fácil ir em direção da dolarização total da economia", disse o economista Felipe de la Balzac, um dos convidados à mesa redonda com a imprensa brasileira, organizada pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Embora a Argentina esteja afundada na pior recessão dos últimos dez anos, em decorrência da queda dos produtos primários no mercado internacional, do reduzido volume de investimentos nos mercados emergentes e da forte desvalorização (65%) do real, mexer no regime cambial argentino hoje é um tiro na cabeça e provocaria uma desustruturação de tamanhas dimensões que seria um suícidio para qualquer político ou economista, afirmaram esses analistas.
Atualmente, 70% da oferta monetária na Argentina está em dólares, 80% da dívida pública e privada, também, e mais de 60% dos depósitos no banco são em moeda norte-americana. "O único momento de sair da conversibilidade é quando não será mais necessário sair dela", resumiram os analistas, que não admitem sequer a hipótese de semelhanças com a crise que levou o Brasil a desvalorizar o real. A paridade fixa da moeda argentina tem ainda o aval do Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora o regime cambial seja demasiado rígido para a recuperação econômica do país, técnicos do Fundo afirmam que ele é eficiente.
A unanimidade dos economistas e políticos, sejam eles integrantess ou não de algum partido político, e até dos organismos multilaterais de financiamento, estende-se à população. "Duas gerações de argentinos conviveram com a hiperinflação e coma instabilidade econômica. Agora, temos uma geração de crianças de nove a dez anos que conhecem essa estabilidade. Por isso, tudo indica o caminho contrário da desvalorização do peso", dizem os argentinos nas ruas de Buenos Aires, onde parece que o clima das eleições não chegou e onde aparecem cartazes com fotos do presidente Carlos Menem abraçado a Eduardo Duhalde em tom de despedida. Os dizeres nos cartazes transmitem, no entanto, porque o Peronismo histórico corre o risco de não receber nem mesmo 30% dos votos nas eleições de domingo: "Alí (Menem) se vá con sus 40 ladrones."

mockup