Dólar vai continuar caindo, afirma FHC
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sábado, 11 de dezembro de 1999
Por Tânia Monteiro, enviada especial 
Buenos Aires, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso sinalizou hoje que o dólar vai continuar caindo, como já tem acontecido nos últimos dias. A afirmação do presidente foi feita em Buenos Aires, ao comentar a disposição do novo presidente argentina, Fernando de la Rúa, de promover uma convergência de política macroeconômica entre os países do Mercosul. Para Fernando Henrique, o câmbio não é um problema central para as relações comerciais entre Brasil e Argentina. "Os problemas fundamentais são a dívida pública, as metas monetárias, o controle da inflação e a situação consolidada entre União e Estados", afirmou o presidente ao explicar que, "havendo uma convergência das políticas efetivas que dão solidez à economia, o resto é mais fácil".
Fernando Henrique defendeu ainda que as relações comerciais entre os dois países não se limitem às questões automotivas, mas que Brasil e Argentina podem ganhar juntos outros mercados, como biotecnologia e aeroespacial. Ele está convencido, no entanto, de que na próxima semana os dois países cheguem a um consenso para prorrogação do acordo automotivo. "A vantagem relativa é muito grande", observou ele, ao garantir que o Brasil está empenhado neste acordo.
Indagado se seria possível os dois países estenderem as áreas de integração, se eles não conseguem se entender nas negociações comerciais básicas, o presidente afirmou que esse entendimento é possível e informou que conversou sobre o assunto com o presidente de la Rúa. "As questões comerciais põem em choque grupos de interesse", comentou o presidente, justificando que "o alicerce do bloco não é esse, é a vontade política de integração". Para ele, todos terão vantagens se houver apoio mútuo.
"Deveríamos insistir muito nesses temas - biotecnologia e setor aeroespacial - porque são desafiadores", pregou o presidente ao insistir que não se pode continuar só com os produtos nacionais e brigando ao redor dos tradicionais. "Vamos ganhar juntos novos mercados", defendeu FHC ao lembrar que o Brasil tem um mercado grande e pode ajudar os seus parceiros. "Não se pode fazer parceria pensando na exclusividade", ensinou ele, exemplificando, em seguida, que a Renault vai instalar uma nova fábrica em Curitiba para produzir 400 mil motores que serão exportados para países como Estados Unidos e Austrália. Na opinião do presidente, a atração de capitais para um país pode beneficiar seu vizinho já que todos podem negociar juntos.
Câmbio - O presidente lembrou que quando o Mercosul começou o câmbio entre Brasil e Argentina era muito díspare. "E isso não atrapalhou", comentou ele, ao justificar que, "havendo uma estabilidade na economia, o câmbio passa a ser incorporado automaticamente".
"Amanhã ou depois o real vai ser mais apreciado porque já começou a valer um pouco mais - isso vai continuar - e, então
tudo será resolvido", declarou o presidente, acentuando que, não se chega a um consenso apenas quando as economias não têm seus fundamentos sólidos.
Crescimento - Para o presidente, 99 foi um ano que começou tempestuoso, com a desvalorização do real e muitas incertezas, mas está terminando melhor. "Eu já vi até alguns dizendo que vamos crescer este ano de 0,6% a 1%, o que é pouquíssimo", afirmou. "Mas para quem previu que íamos perder 4%, esses dados podem ser considerados uma vitória", prosseguiu ele, referindo-se aos prognósticos negativos sobre o País. Quanto à inflação, o presidente declarou que, "por mais que se discutam as vírgulas e os depois das vírgulas, a inflação continua sob controle".


