Dólar tem forte oscilação e sobe 1,42% na média do dia
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Mário Rocha 
São Paulo, 5 (AE) - O dólar comercial sofreu forte oscilação hoje. A moeda norteamericana chegou a subir 1,31%, atingindo a máxima do dia em R$ 1,856. No fim da tarde, porém, registrava alta de 0,93%, fechando em R$ 1,8490. Na cotação média do Banco Central, a Ptax, a alta no dia foi ainda maior: 1 42%.
Esse comportamento, segundo analistas, poderia ser considerado contraditório num dia de queda em Wall Street. A bolsa norteamericana começou seus negócios em baixa, mas fechou com uma significativa alta de 1,11%. Para analistas, a principal explicação seria um "teste" do mercado para determinar os limites do Banco Central.
A autoridade monetária já teria deixado claro que só interviria no mercado de dólar quando as cotações da moeda norteamericana subissem ao ponto de afetar os preços relativos da economia, provocando um aumento dos custos e, consequentemente, inflação.
O "teste" ao BC estaria amparado por dois cenários: insegurança quanto à possibilidade de aprovação no Congresso, ainda este ano, das reformas pendentes e, principalmente, o efeito alimentador da inflação da conta petróleo.
O governo foi alvo de referências críticas, como no trecho em que o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, perguntou, em seu discurso defendendo o programa de combate à pobreza, se o ministro da Fazenda, Pedro Malan, já recebeu algum pobre em seu gabinete.
Mesmo que haja sinais de distensão entre os presidentes do Executivo e do Legislativo, porém, só o espaço ocupado pela proposta de ACM, que o mercado preferia dedicado às reformas, é suficiente para provocar desconforto.
Neste cenário de imobilismo das reformas e incertezas externas, há quem acredite que o câmbio seja o mercado mais exposto a sobressaltos. "Os juros ainda têm algum espaço de baixa e são controlados pelo BC, por isso a pressão acaba sobrando para o dólar", disse um analista.
Ele avalia que, salvo em caso de uma inesperada reviravolta positiva nos cenários externo ou doméstico, as cotações vão continuar voláteis e mais sensíveis à alta do que à baixa.
O problema, no entanto, é que, com a elevação constante dos preços do dólar, a gasolina tende a sofrer novos reajustes, também constantes, para adaptar-se ao novo preço da moeda. Por exemplo, se o preço da gasolina hoje tem como base o dólar a R$ 1,75, logo o preço do combustível terá de se ajustar ao dólar a R$ 1,80 ou R$ 1,85 e assim por diante. Ou seja, o aumento da gasolina deixaria de provocar uma elevação pontual na inflação para se tornar um alimentador da inflação.
Nesse caso, então, o dólar estaria influenciando a inflação. E, assim, o BC teria razões para intervir no câmbio. Com base nesse raciocínio, o mercado de câmbio passou a testar o BC, elevando as cotações do dólar. O mercado não teria condições de iniciar essa queda-de-braço não fosse o momento político instável pelo qual passa o governo Fernando Hemrique Cardoso e suas relações com o Legislativo.


