Tóquio, 02 (AE-AP) - A perspectiva de que a recuperação econômica do Japão atrairá investidores que hoje aplicam seus recursos nos Estados Unidos está prejudicando a cotação do dólar em relação ao iene. A moeda norte-americana registrou hoje sua maior baixa em oito meses ante a divisa japonesa, e encerrou o dia cotada a 108,78 no mercado de Tóquio. Em Nova York, ela encerrou o dia a 109,11. O euro também avançou para US$ 1,0686, ante US$ 1,0540 na véspera.
A queda do dólar, no entanto, foi suavizada pela possibilidade do Banco (central) do Japão intervir no mercado de câmbio para impedir a valorização do iene. A alta de mais de 6% nas últimas 3 semanas pode desacelerar a recuperação do país de um de seus piores períodos recessivos.
A dúvida dos analistas e participantes do mercado financeiro japonês é até quando a valorização do iene será mantida e, em que momento o banco central intervirá. Muitos acreditam que a cotação do dólar pode chegar a até 105 ienes.
A Bolsa de Tóquio subiu mais de 2% hoje depois de o Fundo Monétário Internacional (FMI) dizer que pode revisar para cima a previsão de crescimento econômico do país para esse ano.
Alguns analistas acreditam que o Banco do Japão deixará a moeda se fortalecer até que os Estados Unidos ajudem na intervenção. "Deixar o dólar cair abaixo de 110 ienes já é um sinal de que o governo espera oportunidades de intervir no câmbio com os EUA", disse um analista.
O diretor-geral do escritório internacional do Ministério das Finanças do Japão, Zembei Mizogushi, disse ontem que o "Japão e os Estados Unidos estão de acordo, já que os EUA apóiam um dólar forte, enquanto para o Japão, uma valorização prematura do iene é indesejável". Ele disse também que o governo está acompanhando o movimento do câmbio.
O Banco (central) do Japão vendeu cerca de US$ 30 bilhões em ienes entre 10 de junho e 21 de julho. Em janeiro, quando o dólar chegou a 108,6 ienes, a instituição vendeu ienes até que o dólar superasse 112 ienes.
Mais um motivo para a relutância do governo japonês em intervir na moeda pode ser a possível queda do dólar após a divulgação do índice de desemprego mais fraco que o esperado, que deve ocorrer hoje nos EUA.
Um relatório otimista pode aumentar a preocupação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá elevar os juros básicos do país para conter a inflação, prejudicando o desempenho dos títulos públicos e da bolsa. O relatório de desemprego será divulgado amanhã de manhã pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

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