Dólar prejudica frigorífico que atua no mercado interno
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 26 (AE) - Os frigoríficos que não exportam e tem seus negócios voltados exclusivamente para o mercado interno estão sendo prejudicados pela alta do dólar. Segundo Élio Micheloni, analista da Fortune Consultoria, esses frigoríficos estão tendo que pagar os preços definidos pelos exportadores no mercado físico mas não conseguem repassar estes preços mais altos no atacado, que vem sofrendo com a pouca demanda.
Segundo ele, os exportadores estão pagando R$ 31 livre de impostos pela arroba do boi, à vista, ou R$ 32 para descontar o Funrural, e mesmo assim conseguem ganhos na exportação devido à desvalorização do real. Porém, aqueles que concentram seus negócios no mercado interno têm que pagar os mesmos preços pela arroba mas, na hora de vender para o atacado, os ganhos desaparecem.
Hoje, no atacado, o traseiro/dianteiro é cotado a R$ 2 55/R$ 1,55 por quilo e já existem ofertas para o traseiro a R$ 2 50. O equivalente físico destes preços é de cerca de R$ 30, menor que o preço da arroba do boi que o frigorífico tem que pagar ao pecuarista.
Micheloni explica que isto está fazendo com que muitos frigoríficos que não exportam reduzam suas compras enquanto aguardam uma maior definição do atacado. A expectativa é de que, com a entrada de março e o recebimento dos salários, o consumo de carne registre uma pequena recuperação e impulsione os negócios no atacado na próxima semana.
José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, acredita que na próxima semana os preços fiquem estáveis no mercado físico podendo ceder um pouco se os pecuaristas começarem a desovar os bois que vem represando.
Para Alcides Torres, da Scot Consultoria, contudo, as ofertas dos pecuaristas continuarão firmes até meados de março quando as chuvas estarão com menor intensidade.
Segundo ele, o excesso de chuvas tem sido também, junto com a alta do dólar e com o mercado de reposição desfavorável, um fator importante para que o pecuarista segure o boi no pasto.


