São Paulo, 10 (AE)- O mercado de câmbio deve ter um dia calmo nesta sexta-feira. Acredita-se que ainda haja espaço de queda para o dólar, embora as apostas agora estejam mais divididas. Há quem considere que a margem para grandes recuperações do real tenha diminuído. Afinal, a cotação de fechamento do dólar de ontem, de R$ 1,8760, é a mais baixa desde 23 de agosto. E o recuo dos últimos dias foi provocado em parte pela melhora de expectativas, sobretudo no campo político. Contudo, os fundamentos, como as reformas, não avançaram, embora o governo esteja prometendo retomar as votações a partir da semana que vem. Falta agora o governo transformar as expectativas em fatos, é o que se cobra no mercado.
O principal fator de queda do dólar nos últimos dias, que vinham sendo os leilões de títulos cambiais curtos, também não aparecerá hoje. Nesta sexta, o Banco Central oferta em leilão 2,300 milhões de NBC-E com emissão em 20/9/99 e vencimento em 15/3/2001. O volume de papéis é grande, mas trata-se de um título com vencimento distante, normalmente associado mais às rolagens de vencimento do que ao hedge. Nos últimos dias os leilões diários que vinham derrubando o dólar eram de títulos com vencimento em fevereiro de 2000, mais de um ano mais curtos que a NBC-E em leilão hoje.
De todo modo, operadores acreditam que, com o cenário mais tranquilo, a tendência é de o mercado continuar calmo, mesmo sem a oferta de NBC-E curta. "O humor do mercado mudou e não se aposta mais no caos", comentou um profissional. O mercado deve acompanhar ainda a divulgação, nos EUA, da inflação ao produtor (PPI) de agosto. No entanto, acredita-se que o efeito do indicador americano sobre o câmbio no Brasil só será relevante no caso de o dado ser excessivamente ruim ou positivo. Caso contrário, o cenário i nterno continuará pesando mais.

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