São Paulo, 03 (AE) - O preço do dólar voltou a subir hoje, na comparação de cotações praticadas no fechamento do mercado, depois de dois dias de forte desvalorização. A moeda norte-americana era negociada no fechamento do mercado a R$ 1,79
o que representa uma alta de 2,29% sobre o preço final da véspera. Apesar da valorização, o dia foi tranquilo, com operadores e executivos financeiros conscientes que o vaivém das cotações deve continuar durante um bom tempo. Nas primeiras operações do dia, o dólar era negociado a R$ 1,74, ligeiramente abaixo do preço de fechamento do dia anterior, de R$ 1,75, mas, aos poucos as cotações ganharam fôlego até alcançar R$ 1,81, a máxima de hoje.
O motivo da alta foi técnico, não resultou de boatos, e resume-se no seguinte. O mercado conta, atualmente, com apenas duas fontes de entrada de dólares. A primeira são as operações financeiras de exportações que, de acordo com operadores, continuam sendo fechadas, mas com muita parcimônia. A segunda seria por meio das posições vendidas dos bancos, ou seja, a capacidade de endividamento em dólares. O BC alterou na última segunda o limite máximo permitido para o equivalente à totalidade do patrimônio líquido ajustado das instituições.
A medida produziu resultados significativos no primeiro dia em que passou a vigorar (terça-feira). Mas de acordo com o diretor financeiro de um banco estrangeiro bastante ativo no câmbio, a alteração tem efeito limitado pelas próprias circunstâncias do mercado internacional. Ele explica: um banco pode agora dispôr de mais dólares para vender às empresas que precisam pagar dívidas no exterior ou a importadores, mas os limites de crédito impostos pelas matrizes ou pelo próprio mercado internacional não se alteraram e as restrições continuam as mesmas. Vale destacar que os bancos recebem reais e podem aplicá-los no mercado de derivativos, ganhando nas arbitragens de taxas.
A porta de saída das instituições financeiras que querem se valer do aumento das posições vendidas, mas estão de mãos atadas pelo limite de crédito externo, é o mercado interbancário de dólares, entre bancos. Nos últimos dois dias se verificou uma procura maior pelos recursos do interbancário, fazendo com que o custo de tais operações pulasse cinco ponto porcentuais, passando de 7% para 12% ao ano, hoje. "É um pico histórico e mostra que essa linha está ficando escassa", afirmou o executivo, ressaltando que o efeito limitado da medida, pelo menos no curto prazo, acaba por pressionar as cotações.
Além disso, segundo um executivo do mercado, qualquer pressão de alta da moeda hoje em dia faz com que os vendedores de dólares fiquem retraídos à espera de novas altas e assim ganhar mais na frente. Como as variações de preços são grandes, pode-se perder ou ganhar dinheiro com muita facilidade.
Este cenário, observam operadores, deve permanecer durante uns dois meses. A partir daí, vão diminuir as saídas de recursos do País para pagamento de títulos vencidos fato que, aliado à melhora das exportações, deve aumentar o ingresso de dólares no Brasil. Até lá, ponderam os analistas, o dólar não deve chegar perto do chamado ponto de equilíbrio, de R$ 1,60.

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