São Paulo, 27 (AE) - Após subir para até R$ 1,95 na abertura, o dólar comercial recuou e era cotado há pouco a R$ 1,89 na venda. Operadores de vários bancos consultadores pela Agência Estado se dividem sobre o que teria motivado este recuo. Uma tese é que, como o dólar futuro estava abaixo do dólar à vista, estaria sendo interessante aos bancos fazerem arbitragens, vendendo dólar comercial e comprando futuros. Instantes atrás, o fututo de fevereiro era cotado a R$ 1,830, ante R$ 1,89 do mercado à vista.
Uma variante desta versão diz ainda que o BC, através do BB, teria vendido futuros ontem para aumentar a diferença entre as duas taxas e "chamar" os bancos para as arbitragens. Assim, os bancos poderiam vender dólares, fazendo uso do recente aumento do limite de posições vendidas decido pelo BC, e arbitrar com a compra dos futuros, mais baratos, na BM&F, ganhando com o diferencial.
Mas outros fatores poderiam estar reduzindo a pressão no dólar agora. Falou-se que o BB poderia ter vendido dólar na abertura dos negócios, em pequena quantidade mas o suficiente para reverter a alta. Comentou-se ainda que dois bancos estrangeiros teriam atuado firme na venda, fazendo as cotações recuarem. Outro rumor foi o de que teria havido erro de cálculo no fluxo cambial de ontem, negativo em US$ 542 mi líquidos, pois uma entrada financeira expressiva não teria sido computada.
Outro fato de hoje foi a decisão do BC de subir o juro do over nesta quarta para 34%. Ontem, o ministro Malan e Chico Lopes, do BC, tinham afirmado que a política monetária seria mantida apertada diante da pressão do câmbio e dos riscos da inflação, mas analistas ainda acham duvidoso que o recuo do dólar hoje já seja efeito do aumento dos juros. Até porque alguns participantes do mercado consideram que a pressão c ambial continua sendo gerada mais pelas incertezas sobre os rumos da política econômica do que em razão da rentabilidade das operações com dólar e juros.

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