São Paulo, 29 (AE) - Dólares não param de entrar no País. Este é o motivo atribuído pelos operadores para explicar mais um dia de forte queda nas cotações do dólar. A moeda norteamericana fechou na mínima do dia nesta segunda-feira, a R$ 1,755, em baixa de 1,13%.
Mais uma vez, o Banco Central atuou nas mesas de operações. Desta vez, no entanto, o BC tomou parte nas duas pontas: primeiro, comprando a moeda e, depois, vendendo. "O BC ajudou a derrubar ainda mais os preços bem no final da tarde", disse um operador.
De manhã, o Banco Central divulgou números que acabaram comprovando o que os operadores vinham afirmando para explicar o recuo do dólar. Apenas neste mês de março, até hoje, entraram liquidamente no País US$ 238 milhões via anexo I e IV e US$ 460 milhões para o Fiex. A redução do IOF para capital externo de 2% para 0,5%, a tendência de queda da inflação e os juros elevados têm sido os principais atrativos para o ingresso de dólares.
Mesmo o forte número de vencimentos, de cerca de US$ 500 milhões, previstos para esta semana curta não foi suficiente para conter o dólar. "As entradas estão superando o volume de saídas. A tendência é de queda", afirmou um operador. Segundo ele, o mercado chegou a registrar negócios no final da tarde desta segunda-feira a R$ 1,745. "Foram negócios reduzidos, mas que junto com as vendas do BC pode ter apontado tendência para amanhã", afirmou o operador.
Se, por um lado, o mercado comemora a volta da liquidez nas operações com câmbio, por outro lado operadores mais experientes sempre lembram que esses dólares que estão entrando podem também sair a qualquer sinal de perigo. "Daqui para a frente, as coisas têm que acontecer sem surpresas desagradáveis. Qualquer sinal de instabilidade interna ou externa pode comprometer todo o esforço que vem sendo feito", disse um analista.
Ele lembrou a declaração dada nesta segunda-feira por Arminio Fraga, segundo o qual as linhas comerciais externas para o Brasil estão estabilizadas desde o dia 28 de fevereiro. "Quando as linhas externas começarem a volta para valer, poderemos começar a respirar com mais tranquilidade", completou o analista.

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