Dólar cai com fluxo cambial positivo
São Paulo, 13 (AE) - Uma combinação de fatores provocou uma nova queda do dólar hoje, que foi negociado ao nível mais baixo desde o início de agosto. A moeda americana era cotada a R$ 1,8520, a mínima do dia, registrando queda de 0,64% em relação ao fechamento de sexta-feira.
Analistas atribuíram a queda ao fluxo de recursos positivo registrado hoje. Houve uma entrada de aproximadamente US$300 milhões, mas operadores não souberam dizer quem teria trazido o dinheiro.
Além do fluxo, analistas destacam que a ação do Banco Central (BC) de oferecer dólares para o mercado visando a evitar problemas na virada do ano foi decisiva para o desempenho da moeda nos últimos dias. Até agora, o BC ofereceu US$ 1,3 bilhão, fato que levou os investidores a mudarem a composição de suas carteiras. Afinal, com a perspectiva de queda do câmbio, não compensa ficar carregado de dólares em carteira.
Um terceiro fator que vem contribuindo para a queda do dólar, segundo operadores, é a mudança de expectativas neste fim de ano. Os temores com o bug do ano 2000 levaram muitas empresas a antecipar remessas de lucros e até mesmo a quitar suas dívidas no exterior.
Previsão - Levantamento realizado pela Associação Nacional de Bancos de Investimento e Desenvolvimento (Anbid) mostra que bancos e empresas brasileiras deveriam resgatar US$ 1 316 bilhão até o dia 30, sendo que, deste total, US$ 963 milhões correspondem a papéis com possibilidade de resgate antecipado (put) ou emitidos com opções de compra e venda. Apenas US$ 353 milhões referem-se a papéis com vencimento pré-estabelecido.
Além das antecipações, comenta-se que alguns vencimentos de cláusula "put" não estariam sendo efetuados. Também há casos em que o tomador brasileiro - empresa ou banco - faz o pagamento do bônus no exterior utilizando-se de saldos já depositados lá fora e sem haver necessidade, assim, de novas remessas.
No mercado comenta-se que não há previsões de compra de dólares para pagamento de dívidas. Somente de duas operações no dia 18. Um vencimento de US$ 200 milhões do Banco Safra e outros US$ 25 milhões do ING. Esse movimento vem surpreendendo o pessoal do mercado financeiro.
Resistência - O otimismo da última sexta-feira continuou ontem no mercado de câmbio. As cotações ensaiaram resistência ao se aproximar de R$ 1,85, atraindo investidores interessados em comprar dólares, mas o mercado parece não contar com uma retomada de tendência ascendente neste ano, ainda que não sejam descartados repiques de alta momentâneos.
Também o cenário previsto até semanas atrás, de que o mercado em dezembro se fecharia totalmente ao Brasil, invialibilizando ingressos de recursos, não estaria se confirmando.
Além do alívio com a inflação e otimismo com a perspectiva de crescimento no Brasil, também o cenário externo mais calmo estaria favorecendo entradas de recursos suficientes para equilibrar o fluxo e reduzir as pressões cambiais. O comportamento dos C-Bonds ontem foi um sinal nessa direção. O principal título da dívida externa brasileira renegociada fechou em 73,875 centavos de dólar, alta de 2,25%, nível anterior ao da crise russa, desencadeada em meados de agosto do ano passado.
Diante da percepção de que muitas operações foram antecipadas, o giro do mercado já começou a perder fôlego nos últimos dias, embora ainda esteja ativo. Acredita-se, contudo, que a liquidez do mercado tende a estreitar-se ainda mais nos próximos dias, sobretudo depois do dia 15, quando o Copom deve fazer a última reunião do ano.
A manutenção do juro básico em 19% ao ano é dada como certa para a maioria esmagadora do mercado financeiro. O BC deverá, antes de retomar o corte das taxas, esperar que as previsões mais otimistas para a inflação e fluxo cambial se confirmem em janeiro.





