São Paulo, 02 (AE) - A decisão do Banco Central (BC) de garantir dólares no mercado na virada do ano foi decisiva para a forte queda da moeda. O dólar fechou hoje negociado a R$ 1,8860 para a venda, registrando queda de 1,36% em relação ao fechamento anterior. Foi o nível mais baixo verificado desde meados de setembro, quando US$ 1 custava entre R$ 1,880 e R$ 1 8860 para venda. Durante o dia, a moeda chegou a cair 1,62%.
Pelo comunicado feito ao mercado no fim da tarde de quarta-feira, o BC vai realizar um leilão de venda de US$ 800 milhões com liquidação financeira no dia 29 de dezembro e outro de compra, com liquidação no dia 5 de janeiro de 2000. Trata-se de uma operação casada nas duas pontas, mas as instituições apenas fecham a operação e fazem o desembolso nos dias 29 e 5.
A estratégia do governo é assegurar ao mercado recursos para evitar as pressões sobre a moeda previstas para esse período, especialmente devido ao bug do milênio.
Na passagem do mês de novembro para dezembro foi um sinal do que poderia vir a ocorrer com a taxa de câmbio. As linhas do mercado interbancário de dólares, cujo custo médio normalmente fica em torno de 6% a 7%, chegou a bater os 8%.
É normal os bancos que estão com o caixa furado recorrer ao mercado interbancário para para fazer o acerto diário de suas contas. O ocorrido na virada do mês passado poderia ser pouco na virada do ano, pois já se sabe que os bancos estavam se abastecendo para enfrentar eventuais problemas com o bug ou aproveitando o episódio para especular.
Desova - Segundo operadores do mercado, os próprios dealers (instituições que negociam no mercado compra e venda de moeda em nome do Banco Central) vinham alertando o governo para o problema.
A decisão do BC levou as instituições a desovar parte de suas carteiras de dólar, trazendo a cotação para baixo. Mas não foi só isso. Operadores destacaram o fluxo cambial positivo, resultado de alguns ingressos de recursos no País.
O economista Nathan Blanche, da Tendências Consultoria Integrada, observa que o leilão reforça uma tendência de baixa que já vinha se desenhando no mercado cambial nos últimos dias com as frequentes atuações do BC na venda do dólar. Para Blanche
ficou claro que ao BC não interessava apenas impedir altas, mas derrubar as cotações e o objetivo é sobretudo "quebrar as expectativas inflacionárias". O consultor lembra que o câmbio tem peso no custo das empresas e, por isto, afeta fortemente o IGPM, um índice que não mede corretamente a inflação do consumidor, mas é visto pelo mercado como indicador de tendência dos preços medidos pelos IPCs, como o da Fipe, que sai amanhã.
Amanhã o BC também vai ofertar 1 milhão de NBC-E (títulos com variação cambial) em leilão. Esses papéis foram emitidos no dia 26 de outubro deste ano e o vencimento ocorrerá em 17 de setembro de 2001. As propostas serão recebidas entre 12 horas e 13 horas e a liquidação financeira da operação ocorrerá na segunda-feira, dia 6. O leilão de papéis cambiais também deve ajudar a manter as expectativas de baixa do dólar.
Os contratos de dólar negociados no mercado futuro da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) acompanharam a queda do à vista. Os vencimentos de janeiro fecharam em queda de 1,22% e fevereiro, 1,22%.

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