Dólar abre em queda de 10,4% a R$ 1,76
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
por Josué Leonel 
São Paulo, 02 (AE) - O mercado de câmbio volta a abrir em baixa hoje, refletindo ainda os sinais de arrefecimento da crise que começaram a surgir ontem. O fim dos boatos e especulações de sexta foi fundamental na queda do dólar ontem. Hoje, o principal fator de baixa está sendo a decisão anunciada ontem pelo Banco Central de permitir que os bancos aumentem suas posições cambiais vendidas até o limite do patrimônio líquido de cada instituição.
Na prática, as posições poderão crescer de US$ 3,5 bi para US$ 55 bilhões, um aumento de 15 vezes. "O aumento foi muito forte e terá um impacto imediato na oferta de dólares", comentou um analista financeiro. Esta tendência já se verifica nos primeiros negócios com dólar desta terça, feitos agora de manhã a R$ 1,76 na venda, 10,4% abaixo do ptax de ontem. A cotação da abertura de hoje é a mais baixa desde o dia 25.
Em relação ao pico de R$ 2,17 atingido na sexta, a queda em dois dias já é de 23,29%. O profissional consultado pela AE ainda acha cedo para dizer que o descontrole da desvalorização acabou, mas acredita que, pelo menos nesta semana, o dólar pode continuar em baixa. "A queda dos preços pode gerar receio de perda em quem estava comprado ou adiando vendas, como o exportador, o que acentuaria a baixa", disse a fonte. Seria, assim, o reverso da escalada dos primeiros dias do câmbio livre.
Contudo, o profissional admite que, como a queda hoje já foi muito forte na abertura, o mercado pode questionar se ainda haverá espaço para novas baixas acentuadas. Para muitos, o chamado "ponto de equilíbrio" do câmbio ficará entre R$ 1,60 e R$ 1,70 e, se estas previsões estiverem corretas, o espaço de queda agora tenderá a ser menor.


