São Paulo, 04 (AE)- O mercado de câmbio deve continuar hoje refletindo o que os operadores chamam de "equilíbrio técnico": as cotações à vista devem continuar oscilando entre R$ 1,70 e R$ 1,85, graças à possibilidade de se fazer hedge das posições vendidas no mercado de futuros. Há pouco, o dólar abriu em R$ 1 84 na venda, 3,90% acima do ptax de ontem e próximo das máximas já atingidas nesta quarta. O desepero da semana passada, que puxou a moeda americana para R$ 2,17, parece ter dado trégua. Mas ninguém chamaria isso de otimismo.
Com liberdade para se assumir posições vendidas, o mercado deixa de pressionar fortemente o spot, mas com garantias no mercado de futuros. Além disso, a presença da missão do FMI no Brasil, renegociando as metas do acordo e definindo as regras de intervenção no mercado de dólar, mantém o mercado de certa forma tranquilo, à espera de novidades. "Com visita em casa, ninguém vai querer fazer bagunça", diz um operador. Mas até mesmo as expectativas lançadas sobre essa visita já não são tão positivas.
Os jornais dizem hoje que, devido a divergências entre o FMI e a equipe econômica sobre as metas de inflação, juros e ajuste fiscal, o acordo deve ser atraso e, portanto, também a liberação da segunda tranche do empréstimo pode demorar um pouco mais, talvez só saia em março. De todo modo, os operadores acreditam que o mercado terá paciência para aguardar anúncio de medidas que ajudarão o País no curto prazo. "Se o dinheiro for liberado e as regras forem bem elaboradas, a volatilidade do mercado vai diminuir. Mas, certamente, essa notícia não é suficiente para afastar a insegurança do mercado financeiro", diz um profissional. Ainda faltam medidas concretas e internas para reduzir o déficit público para que a credibilidade seja reconquistada. É importante observar que, embora não haja números oficiais, os operadores percebem que o fluxo cambial voltou a registrar resultado negativo ontem, que deve se repetir hoje. A nomeação de Armínio Fraga para a presidência do BC e o empréstimo do FMI ajudam. Mas no curto prazo. "O que o mercado quer ver são medidas fortes, mobilização interna para combater a crise. Emprestar dinheiro e mexer no câmbio não eliminam as vulnerabilidades do País", diz o analista.

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